Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
7

Governo enfrenta moção de censura

O Governo enfrenta pela segunda vez a mais forte arma política da Assembleia da República. Em causa está a revisão do Código do Trabalho, que levou o PCP a avançar ontem com uma moção de censura contra o Executivo de José Sócrates, para demostrar "o descontentamento e a angústia de milhares de portugueses".
1 de Maio de 2008 às 00:30
Sócrates já foi alvo de uma Moção de Censura do BE
Sócrates já foi alvo de uma Moção de Censura do BE FOTO: Manuel de Almeida / Lusa

"O senhor primeiro-ministro está a escrever uma das páginas mais negras da história do PS. Se lhe restasse um neurónio social-democrata, no mínimo, repudiava essas propostas ", declarou Jerónimo de Sousa. Para o líder do PCP o novo Código do Trabalho significa "precarizar todos os trabalhadores" com a ameaça de desemprego e do despedimento por inadaptação. E, por isso, anunciou "uma moção de censura ao Governo", que será debatida dia 8 de Maio.

As acusações foram rejeitadas por Sócrates, que garantiu que a revisão das leis laborais vai beneficiar os trabalhadores. "Não é uma moção de censura ao Governo, é uma moção de censura ao diálogo com a concertação social", criticou Sócrates.

A crise económica mundial foi o tema escolhido por Santana Lopes, que propôs ao Governo a criação de um plano de estímulo à economia portuguesa, como fez Espanha. Mas Sócrates considerou isso desnecessário: "Aquilo que são impulsos à actividade económica não é uma receita de que a nossa economia careça. Nós precisamos é de fazer o que estamos a fazer: puxar pelas exportações, pelo investimento."

Mas a discussão aqueceu com Paulo Portas, que questionou o lucro do Governo com a subida dos preços dos combustíveis e criticou as listas de espera para operação às cataratas. Sócrates acusou o líder do CDS de "pura demagogia" e garantiu que o Governo vai avançar com medidas para acabar com as listas de espera. "Não considero admissível que uma operação fácil de fazer hoje tenha as listas de espera que hoje tem", disse.

MONTA ENGIL DISCUSSÃO

O ex-dirigente socialista Jorge Coelho esteve ontem, mais uma vez, na origem de uma azeda troca de palavras entre José Sócrates e Francisco Louçã. O deputado do BE criticou a decisão do Governo de alargar a concessão da exploração do terminal de contentores de Alcântara a uma empresa participada pela construtora Mota Engil, que no próximo mês terá como presidente Jorge Coelho.O primeiro-ministro não gostou do comentário e afirmou-se cansado dos "preconceitos de superioridade moral" de Louçã. "Em todos estes debates defendo naturalmente as minhas convicções com vigor e energia, mas há uma coisa que nunca utilizei: o argumento da pretensão moral de ser superior aos outros", atirou Sócrates. Na resposta, Louçã foi irónico: "Quem se mete com a Mota Engil leva."Duas semanas antes, Jorge Coelho esteve no centro de uma discussão entre Sócrates e Louçã, com o chefe do Governo a sair em sua defesa.

FRASES

- "A economia portuguesa está a passar de cavalo para burro." Jerónimo de Sousa

- "Onde é que a nossa economia estava a cavalo?" José Sócrates

- "O senhor primeiro-ministro, em matéria de segurança, é incompetente." Paulo Portas

- "Os precários que nos estão a ouvir sabem que mais vale deitarem-se ao rio do que esperar pelo Governo." Francisco Louçã

 

Ver comentários