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Correio da Manhã

Política
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Governo evita confrontar Cavaco

A decisão do Governo de remeter para a próxima legislatura a assinatura do primeiro contrato do TGV evita um confronto com o Presidente da República, antes das eleições legislativas. "É um caminho de bom senso", afirmou ontem Cavaco Silva à margem de uma cerimónia em Vila Nova de Poiares.

17 de Junho de 2009 às 00:30
Cavaco diz que o Governo optou por um “caminho de bom senso” ao deixar a assinatura do primeiro contrato do TGV para a próxima legislatura
Cavaco diz que o Governo optou por um “caminho de bom senso” ao deixar a assinatura do primeiro contrato do TGV para a próxima legislatura FOTO: Paulo Cunha, Lusa

O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, explicou ontem que 'o andar normal das coisas leva a que só na próxima legislatura – lá para Outubro – haja condições para assinar o contrato de concessão [do troço Poceirão-Caia]'. Com esta declaração, o Governo evita que o Presidente se pronuncie sobre o decreto-lei do contrato entre o Estado e o consórcio vencedor, ou seja, que o vete.

'No tempo económico, financeiro e político que nós vivemos, devemos ser muito cuidadosos e ponderados em todas as decisões que tenham influência muito forte no futuro do País', disse Cavaco Silva.

O Presidente afirmou mesmo que a construção de 'pequenas vias de comunicação' em concelhos do Interior poderá promover mais o desenvolvimento económico do País do que 'outras de grande dimensão'.

Para o PSD, só é aceitável que seja o primeiro-ministro a dizer se suspendeu o processo. Segundo o vice-presidente do PSD, Aguiar-Branco, a posição do Governo é ambígua, porque não basta deslocar prazos de adjudicações.

PROCESSO SEGUE SEM PRESSA

O Governo não está a ponderar apressar o processo legislativo do concurso do TGV para o concluir antes das eleições. 'Trata-se de um processo que passa pela negociação com o vencedor do concurso do troço Poceirão-Caia, por dar tempo a contestação, pela redacção do articulado do contrato e pela sua aprovação em Conselho de Ministros', explicou ao CM fonte próxima do processo. Só depois destas etapas o contrato, sob a forma de decreto-lei, chegará às mãos do Presidente, e nunca antes de Outubro.

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