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Correio da Manhã

Política
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Governo não tem receio de Cavaco

O líder do PSD, Marques Mendes, defendeu ontem a suspensão do projecto para a construção do novo aeroporto na Ota e pediu a intervenção do Presidente da República na matéria. Um apelo desvalorizado pelo ministro das Obras Públicas, Mário Lino, que garantiu: “Não temo oposição de Belém.”
17 de Março de 2007 às 00:00
Numa audiência no Palácio de Belém, Marques Mendes revelou ontem a Cavaco Silva as suas preocupações sobre a construção do novo aeroporto. “A Ota não é solução. A Ota é um problema. A Ota é uma solução cara de mais, tem problemas de segurança e, sobretudo, porque o aeroporto tem um período de vida curto”, justificou o líder social-democrata à saída do encontro. Por isso, defendeu: “É indispensável parar para reflectir para depois se avançar com solidez, com segurança. O País já tem elefantes brancos que bastem.”
Marques Mendes aguarda agora a intervenção de Cavaco Silva no assunto, por considerar que “num investimento desta envergadura todos os órgãos de soberania têm uma palavra a dizer”. Até agora, Cavaco Silva recusou entrar na polémica, mas na segunda-feira lembrou: “A União Europeia exige uma avaliação de custo-benefício, em que sejam considerados os benefícios monetários e económicos mas também aqueles que são intangíveis.”
Apesar das reservas do Presidente, Mário Lino afirmou que Cavaco não será um obstáculo à construção do novo aeroporto, que custará 3,5 mil milhões de euros. “Não temo oposição de Belém”, rematou. O ministro acusa Marques Mendes de andar “baralhado”, já que em 2004 era a favor do aeroporto.
MINISTRO ACUSA LÍDER DO CDS
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, acusou ontem o líder do CDS de “atentar” contra os interesses nacionais junto da Comissão Europeia, ao enviar um requerimento com “informações falsas” sobre o novo aeroporto da Ota. Ribeiro e Castro devolveu a acusação e considerou “atentatório” do interesse nacional a decisão do Governo de avançar com a construção do novo aeroporto.
Em causa está um requerimento que alertava a Comissão Europeia para o facto de o bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo, ter aconselhado o Governo a estudar alternativas à Ota. Fernando Santo demarcou-se da iniciativa de Ribeiro e Castro e frisou que a sua instituição não tem uma opinião formal sobre o assunto.
NOTAS
INVESTIMENTO
O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, admitiu que o Banco Europeu de Investimento poderá ser uma das possibilidades no financiamento do aeroporto da Ota e disse não ter dúvidas de que a UE vai aprovar o projecto.
ESTUDOS
Entre 1997 e 2004 foram gastos cerca de 13,6 milhões de euros em estudos, segundo a NAER - Novo Aeroporto, S.A. Cerca de 6,6 milhões foram subsidiados pela UE.
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