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Correio da Manhã

Política
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GOVERNO RECUSA QUE A PSP SE TENHA TORNADO MAIS DURA

O ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes, afirmou ontem que os incidentes entre as forças policiais e os manifestantes na Costa de Caparica, no passado domingo, “chegaram a assumir proporções graves” e que nunca irá “desautorizar as forças de segurança em situações de conflito”.
4 de Julho de 2002 às 00:39
Incidentes na Caparica colocam  o MAI sob pressão
Incidentes na Caparica colocam o MAI sob pressão
A intervenção policial deu-se quando adeptos da selecção brasileira de futebol comemoravam a vitória da sua equipa no Mundial e dias depois de outra intervenção da PSP ter provocado um morto no bairro da Bela Vista, em Setúbal.

As declarações foram prestadas à Comissão Parlamentar dos Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias onde o ministro se teve que deslocar menos de três meses após ter tomado posse para prestar esclarecimentos sobre os dois acidentes com as forças de segurança. Duas intervenções policiais e um morto, em dez dias, fazem levantar as vozes que acusam o Governo de pretender retomar a contundência dos executivos de Cavaco Silva, designadamente na situação vivida em 1994 na Ponte 25 de Abril.

Apesar desta comparação, Figueiredo Lopes recusa as acusações: “Isto [a acção da Polícia] não significa que seja minha intenção um revigoramento ou uma maior musculação por parte das forças de segurança.” Para justificar os métodos utilizados na operação, o ministro alegou que na Costa de Caparica “cerca de mil pessoas” tinham-se manifestado “violentamente, ameaçando provocar o caos” e que muitos condutores foram “obrigados a parar os carros e a beijar a bandeira do Brasil”.

Apesar das justificações, a oposição contestou em bloco o comportamento do Governo na gestão do caso. O deputado socialista Vitalino Canas lamentou que, perante os acidentes, Figueiredo Lopes tenha ficado em silêncio. E a deputada do PCP, Odete Santos, referindo-se aos acidentes da Bela Vista que provocaram um morto, advertiu o ministro que a reacção do comandante da PSP de Setúbal “foi mais cautelosa” do que a do Governo. “Enquanto o comandante da PSP de Setúbal mandou proceder a averiguações, o ministro já está a responsabilizar alguns moradores do bairro”, concluiu a deputada.

O deputado bloquista Francisco Louçã repetiu as críticas dos outros partidos e assegurou ter sido impedido de obter informações sobre os incidentes junto da PSP de Setúbal. Como resposta, Nuno Melo (CDS--PP) lamentou que o BE “esqueça que a esquadra da PSP na Bela Vista” tenha estado “cercada” por populares.
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