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Correio da Manhã

Política
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GOVERNO SALVA MIL EMPREGOS COM PRIVATIZAÇÃO DA TAP

O Governo deu ontem mais um passo para o processo de privatização da TAP ao permitir que o sector do ‘handling’ - serviços de assistência em terra- passe para as mãos dos privados.
7 de Março de 2003 às 00:32
O ministro das Obras Públicas, Transportes e Habitação, Valente de Oliveira, garante que os direitos dos trabalhadores serão salvaguardados, mas o sindicatos não acreditam e, na sua revolta, falam mesmo em atitude”criminosa” e “hipócrita”.

A operação, conforme estipula o decreto-lei aprovado em Conselho de Ministros, será feita através de um concurso público internacional até ao final de Maio e o encaixe financeiro, numa percentagem ainda não definida, reverterá para a empresa. Valente de Oliveira explicou as razões do Governo e garantiu que os 2 500 trabalhadores mantêm “todos os direitos e regalias, nomeadamente a antiguidade e os acordos de empresa.

O ministro sublinhou que esta é a melhor solução para os trabalhadores, dado que a outra opção, a entrada de um terceiro operador no sector,“levaria, inevitavelmente, à dispensa de cerca de mil trabalhadores, além de que seria fatal para os outros dois actuais operadores (TAP e Portway)”. Valente admitiu, no entanto, não estar em condições de garantir uma cláusula de manutenção de postos de trabalho. “O que eu disse-explicou- é que seriam respeitados os seus direitos”. Assim, para Valente, com a autonomização desta área de negócios “evita-se a entrada de um terceiro operador e, ao mesmo tempo, garante-se os direitos dos trabalhadores”.

As palavras do ministro não deixaram, todavia, os trabalhadores descansados. Muito pelo contrário. Segundo Luísa Ramos, da direcção do SITAVA, “é criminoso retirar da TAP um sector fundamental para a recuperação da empresa”. Em sua opinião, além de “pôr em perigo a recuperação da empresa e, no limite, a própria TAP, não há garantia de manutenção dos actuais postos de trabalho”. De facto, segundo a sindicalista, o ministro diz que os trabalhadores passam com os direitos para outra empresa, mas não diz que os vão manter e, muito menos, garante os postos de trabalho, já que não existe uma cláusula nesse sentido. Ou seja, os trabalhadores não estão descansados e classificam de “hipócrita” a atitude do Governo.
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