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Correio da Manhã

Política
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Governo toma posse sem o beija-mão

A cerimónia de tomada de posse do XVII Governo Constitucional, marcada para amanhã pelas 11h30, no Palácio da Ajuda, não vai incluir a tradicional apresentação de cumprimentos aos novos governantes, também conhecida popularmente por beija-mão, segundo adiantou ontem fonte do primeiro-ministro indigitado, José Sócrates.
11 de Março de 2005 às 00:00
José Sócrates ocupou ontem simbolicamente o lugar de deputado no Parlamento, onde se encontrou, entre outros, com Francisco Louçã
José Sócrates ocupou ontem simbolicamente o lugar de deputado no Parlamento, onde se encontrou, entre outros, com Francisco Louçã FOTO: António Cotrim
A sessão de cumprimentos vai limitar-se à troca de saudações entre os novos ministros, Presidente da República, governantes cessantes e familiares do primeiro-ministro e restantes membros do Governo. Numa outra sala, os convidados (deputados, embaixadores, directores-gerais) poderão assistir à cerimónia num ecrã gigante propositadamente instalado para o efeito.
Esta alteração protocolar dever-se-á, segundo a mesma fonte, a um “pedido do primeiro-ministro indigitado para que a cerimónia de cumprimentos fosse simplificada”. A manter-se a tradição, a sessão de cumprimentos prolongar-se-ia por uma ou duas horas, com os ministros a cumprimentarem centenas de pessoas, que muitas vezes desconhecem. O longo tempo de espera, associado ao calor que se faz sentir, já levou a que o ex-primeiro-ministro Cavaco Silva tivesse desmaiado na cerimónia de tomada de posse do primeiro governo chefiado por António Guterres, em 1995.
Historicamente a cerimónia do beija-mão era uma solenidade da corte que consistia em irem ao palácio, representantes das instituições e de corporações a beijar a mão ao rei e à rainha. Com a República, a tradição de origens feudais foi transformada numa cerimónia pública de saudação aos novos governantes e manteve-se até aos nossos dias, continuando a ser popularmente conhecida como ‘ir ao beija-mão’.
Ontem, dia de abertura da X Legislatura da Assembleia da República (AR), José Sócrates prometeu, como fizera durante a campanha, que “o PS respeitará as regras democráticas” e dará ouvidos às oposições, sem, contudo, deixar de “ser firme” a decidir.
O primeiro dia da legislatura ficou ainda marcado pela informação de que o primeiro-ministro chamará a si os dossiês das autonomias regionais dos Açores e Madeira e pelo adiamento, para 2006, dos referendos sobre o aborto e o Tratado Constitucional da União Europeia. Adiamentos que ainda farão correr alguma tinta com o BE a querer uma antecipação do referendo ao aborto e com o PSD a querer antecipar o referendo europeu.
No final do dia, José Sócrates, explicou, sobre um eventual aumento dos impostos, que “o caminho do PS é o da consolidação das finanças públicas, através da redução da despesa e do combate à evasão fiscal”, omitindo a questão dos impostos.
MOTA AMARAL ABRE SESSÃO
O presidente cessante da Assembleia da República (AR), Mota Amaral, abriu ontem a primeira sessão da X Legislatura com um “Viva a República”. Mota Amaral deverá ser substituído no cargo por um seu conterrâneo dos Açores, o socialista Jaime Gama.
SEGURO ABANDONA POR VONTADE
António José Seguro, presidente cessante do grupo parlamentar do PS, explicou ontem que abandona a liderança parlamentar socialista por vontade própria, negando divergências ou afastamento político entre si e o líder do partido e primeiro-ministro indigitado, José Sócrates.
“Não inventem problemas onde não existem”, afirmou António José Seguro, que deverá ser substituído no cargo por Alberto Martins (conotado com a ala mais à esquerda do PS). A eleição da nova direcção da bancada do PS foi ontem marcada para a próxima quarta-feira. As candidaturas, de Alberto Martins e alternativas, devem ser apresentadas até terça-feira à tarde.
GUILHERME SILVA SUBSTITUÍDO
A direcção do grupo parlamentar do PSD deverá manter-se em funções até Abril, data da escolha do novo líder do partido, cabendo a Marques Guedes substituir o actual presidente da bancada parlamentar, Guilherme Silva, que será proposto para vice-presidente da Assembleia da República (AR).
“Só teremos eleições da bancada, em princípio, depois do Congresso do partido de 8, 9 e 10 de Abril. Até lá, a direcção cessante deverá assegurar funções e serei eu a assumir as funções de líder parlamentar”, explicou aos jornalistas o actual vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, Marques Guedes, adiantando que “o PSD vai propor, em princípio, que Guilherme Silva integre uma das vice-presidências da AR”.
Marques Guedes recusou responder se é candidato ao cargo quando houver eleições no grupo parlamentar do PSD.
ANTÓNIO VITORINO
O coordenador do programa eleitoral do PS garante que, para já vai assumir o seu mandato de deputado.
BERNARDINO SOARES
O deputado Bernardino Soares vai continuar a presidir à bancada parlamentar dos comunistas.
MANUEL ALEGRE
O PS vai candidatar o deputado Manuel Alegre a um dos quatro lugares de vice-presidente da Assembleia da República.
ZITA SEABRA
Zita Seabra regressa ao Parlamento 18 anos depois, dizendo que sempre gostou de fazer trabalho parlamentar.
NUNO MELO
Nuno Melo continua na presidência da bancada do CDS até à eleição de um novo líder parlamentar.
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