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Correio da Manhã

Política
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Grupo parlamentar do CDS sem líder até ao referendo

Os democratas-cristãos vão ficar sem líder parlamentar até à realização do referendo ao aborto a 11 de Fevereiro, depois do actual presidente da bancada ter apresentado a demissão em ruptura com o líder do partido. Numa conferência de imprensa arrasadora, Nuno Melo responsabilizou Ribeiro e Castro pela sua demissão e acusou-o de promover um “julgamento sumário acompanhado de uma escalada de ataques pessoais” dentro e fora do partido.
19 de Janeiro de 2007 às 00:00
Nuno Melo comunicou ontem a sua demissão da liderança da bancada aos deputados
Nuno Melo comunicou ontem a sua demissão da liderança da bancada aos deputados FOTO: Natália Ferraz
“Esse processo envolveu a apresentação de um voto de reprovação (...), a ameaça de processos disciplinares, declarações ofensivas e difamação junto dos meus colegas”, sublinhou Nuno Melo, que no passado dia 9, conforme o CM publicou em primeira mão, entregou a carta de demissão a Ribeiro e Castro, quando este lhe anunciou a retirada da confiança política. Mas o líder parlamentar demissionário foi mais longe nas críticas e acusou o presidente do partido de “transformar uma questão pessoal num conflito institucional”. “Infelizmente, o dr. Ribeiro e Castro prefere fazer sangue no partido, quando o seu problema é não convencer o povo”, rematou.
Com a saída de Nuno Melo da presidência da bancada, são os vice-presidentes Mota Soares e Nuno Magalhães que assumem a condução da bancada até às eleições marcadas para Fevereiro, que segundo apurou o CM só irão acontecer após o referendo ao aborto. João Rebelo, Diogo Feyo e Telmo Correia são nomes apontados como possíveis sucessores de Nuno Melo. Isto apesar de o líder parlamentar demissionário não ter afastado por completo a hipótese de se recandidatar: “Depende da minha vontade e para já não a consigo definir.” Já questionado sobre um eventual congresso extraordinário e a possibilidade de avançar para a liderança do partido, Nuno Melo afirmou: “Como é óbvio, depende de muitas variáveis que eu não domino e de decisões que, no que me diz respeito, não devo avançar.”
O JANTAR DA POLÉMICA
O jantar de Natal do CDS-Lisboa lançou a polémica no partido, quando Nuno Melo confessou sentir saudades da liderança de Paulo Portas. Uma semana depois a direcção do partido reagia às declarações do líder da bancada com uma deliberação de reprovação de conduta e um pedido de demissão. Mas o reiterar de confiança do grupo parlamentar, no dia seguinte, reforçou a posição de Nuno Melo e Ribeiro e Castro decidiu avançar para a retirada de confiança política, no passado dia 9.
Nuno Melo entregou a carta de demissão, mas determinou que o anúncio só seria feito após o seu regresso da Índia, onde esteve com o Presidente da República. Ontem, Nuno Melo admitiu mesmo que pensou deixar a liderança da bancada por duas vezes, devido a declarações do dirigente do CDS, Mota Campos. Num discurso de sete páginas, Nuno Melo lançou várias críticas a Ribeiro e Castro, entre elas o facto de o líder do CDS não se demitir do cargo de eurodeputado.
REACÇÕES
"CDS TERÁ DE FAZER OPÇÕES POLÍTICAS" (Pires de Lima, Ex-vice-presidente)
“O problema central tem a ver com a falta de convencimento que o dr. Ribeiro e Castro provoca no eleitorado de direita e na falta de felicidade que causa em alguns militantes do CDS”, comentou Pires de Lima, acrescentando: “Não é este seguramente o momento para o partido discutir a liderança mas, mais tarde ou mais cedo, o CDS vai ter de fazer opções políticas que lhe permitam sair do atoleiro em que caiu com a liderança do dr. Ribeiro e Castro.”
"CONTRA A VONTADE DOS DEPUTADOS" (Mota Soares, Vice-presididente da bancada)
Coube a Pedro Mota Soares, vice-presidente da bancada parlamentar do CDS-PP, ler um comunicado dos deputados, no qual afirma que “o grupo parlamentar lamenta profundamente a demissão de Nuno Melo contra a vontade dos deputados do CDS”. Mota Soares disse ainda que a saída de Nuno Melo “é uma má notícia para o CDS e uma boa notícia para os seus adversários, em particular o primeiro-ministro”.
"É UMA DECISÃO NATURAL E NORMAL" (Pestana Bastos, Direcção Nacional)
“A direcção do CDS-PP encara a demissão de Nuno Melo como uma decisão natural e normal, na medida em que a comissão política reprovou a sua conduta”, afirmou ao CM Pedro Pestana Bastos. Para o dirigente do CDS-PP, que recusou comentar para já as acusações do líder parlamentar demissionário, a decisão de Nuno Melo deveria aliás “ter sido mais cedo”.
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