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Guedes insiste em novo rumo

O ex-ministro do Ambiente, Luís Nobre Guedes, afirmou ontem que não ficou surpreendido com a sondagem CM/Aximage, na qual 84,9 por cento dos inquiridos vê com bons olhos o regresso de Paulo Portas à liderança do partido. O ex-dirigente do CDS-PP não tem dúvidas e insiste em dizer que “o partido precisa de um novo rumo” e que o estudo de opinião “vai no sentido” do diagnóstico que tem feito sobre o partido.

27 de dezembro de 2006 às 00:00

Questionado pelo CM se esse rumo deve ser feito com ou sem o antecessor de Ribeiro e Castro, Nobre Guedes apenas assegura que tem as suas “ideias assentes” e promete falar sobre o futuro dos democratas-cristãos “em breve”. Quanto ao momento em que pretende divulgar a sua opinião, Guedes conclui que não se guiará pelo referendo ao aborto: “Não é determinante”.

O CM contactou a maioria das distritais do partido para avaliar se concordam ou não com o regresso de Portas à presidência centrista. Nas respostas, alguns dirigentes foram cautelosos, mas todos concordam que os democratas-cristãos atravessam um período difícil. E, à excepção da distrital de Leiria e Faro, ninguém ficou surpreendido com os resultados da sondagem. Para já, os dirigentes locais não arriscam defender um congresso extraordinário em 2007.

Álvaro Castello-Branco, do Porto, Domingos Doutel, de Bragança, e Hélder do Amaral, de Viseu, consideram que a decisão de Portas no respeitante a regressar ou não à liderança “depende da vontade do próprio”, mas que os dados são “elucidativos”. José Manuel Rodrigues, da Madeira, sublinha que “nem o PSD, nem o CDS têm feito verdadeira oposição”. E que seria útil que Ribeiro e Castro, o actual líder, fosse deputado na Assembleia da República.

Abel Baptista, de Viana do Castelo, adiantou ao CM que Portas não pode “esquecer” os resultados da sondagem, enquanto Herculano Gonçalves, de Santarém, e um dos maiores críticos da actual direcção, acrescenta: “ É a melhor solução para o partido”

Já Isabel Gonçalves, de Leiria – próxima da direcção de Ribeiro e Castro –, recorda que há “pequenos mal-estares que num partido pequeno tomam outra dimensão”.

Da direcção, Narana Coissoró prefere destacar que “os desentendimentos entre Nuno Melo e a direcção do partido levam a que o eleitorado não se sinta seguro. Mas, se houver novo congresso, Ribeiro e Castro volta a ganhar”. Já Martim Borges de Freitas optou por não comentar.

NUNO MELO RELECTE DOBRE O FUTURO

Mal sejam retomados os trabalhos parlamentares, o presidente da bancada do CDS--PP, Nuno Melo, terá uma reunião com os deputados para decidir o seu futuro, conforme anunciou em comunicado, depois do repto de demissão, exigido pela direcção do partido. Poderá ser aí também que Paulo Portas – incontactável na época natalícia – dê algum sinal sobre o caminho que pretende seguir. Numa ronda por alguns dirigentes distritais, Nuno Melo foi criticado, por exemplo, por Alvarinho Pinheiro, dos Açores.

O dirigente não tem dúvidas: “A legitimidade partidária sobrepõe-se à parlamentar”. Mas, por exemplo, Álvaro Castello-Branco, do Porto, saiu em defesa do deputado, criticando o facto de a agenda da comissão política não ter especificado que se pretendia repreender o líder parlamentar. Castello-Branco contesta ainda a forma como a direcção do partido atacou Nuno Melo: “Nunca vi isso em nenhum partido”. Já Carlos Dantas, de Setúbal, prefere defender que incidentes como os que motivaram a reprimenda” a Melo são de evitar.

DEVE REGRESSAR

Num sondagem CM/Aximagem ontem publicada, 84,9 por cento dos inquiridos que votou CDS-PP nas legislativas de 2005 considera que Paulo Portas “faz bem” em regressar à liderança do partido.

NEM BEM, NEM MAL

Apenas 6,3 por cento do eleitorado do CDS-PP considerou indiferente o regresso de Paulo Portas à liderança dos democratas-cristãos ao afirmar que este não faz “nem bem nem mal”.

LONGE DA RIBALTA

O eleitorado à esquerda, na sua maioria, prefere manter Paulo Portas longe das luzes da ribalta. Já o eleitorado do PSD, 53,1 por cento diz que o ex-ministro da Defesa “faz bem” em voltar à presidência do CDS-PP.

Em pleno jantar de Natal da concelhia do CDS-PP de Lisboa, o líder parlamentar, Nuno Melo, afirmou que o partido “sente falta da forma determinada de fazer política, da força e da alegria do ex-líder Paulo Portas”.

Ribeiro e Castro propõe “uma deliberação de reprovação de conduta” de Nuno Melo, numa reunião da Comissão Política do Partido. Após sete horas de discussão, o texto é aprovado por 31 dos 35 membros presentes.

Nuno Melo reúne-se com o grupo parlamentar, que reitera a confiança política no líder da bancada centrista, contra a vontade da direcção do partido. José Paulo Carvalho foi o único deputado que não apoiou o voto de confiança.

Luís Mota Campos, membro da comissão executiva de Ribeiro e Castro, garante que a direcção do CDS aguarda a demissão de Nuno Melo no início do próximo ano.

Nuno Melo anuncia que voltará a reunir-se em Janeiro com o grupo parlamentar para decidir o seu futuro.

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