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Correio da Manhã

Política
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Holanda paralisou solução no Conselho Europeu sobre recuperação da economia

Países frugais pedem mais mudanças para poder assinar um acordo.
Wilson Ledo 19 de Julho de 2020 às 09:46
António Costa  fala com o primeiro-ministro sueco (um dos países frugais), Stefan Lofven
Charles Michel  em reuniões bilaterais
Ursula von der Leyen e Angela Merkel em reunião
António Costa  fala com o primeiro-ministro sueco (um dos países frugais), Stefan Lofven
Charles Michel  em reuniões bilaterais
Ursula von der Leyen e Angela Merkel em reunião
António Costa  fala com o primeiro-ministro sueco (um dos países frugais), Stefan Lofven
Charles Michel  em reuniões bilaterais
Ursula von der Leyen e Angela Merkel em reunião
O braço de ferro sobre o pacto anticrise tornou-se mais intenso no segundo dia de Conselho Europeu (CE) em Bruxelas. Apesar das novas propostas, a Holanda e os restantes países frugais (Dinamarca, Áustria e Suécia) estiveram inflexíveis e pedem mais cortes nos montantes a distribuir a fundo perdido. Estas exigências conseguiram paralisar uma solução europeia.

A tarde foi marcada por múltiplas reuniões, com o presidente do Conselho a procurar fazer pontes entre os diferentes países. Portugal integrou o primeiro encontro, que reuniu 11 líderes, sobretudo do sul da Europa.

Antes disso, Charles Michel já tinha acenado à Holanda com uma nova proposta: um corte de 50 mil milhões de euros nos apoios a fundo perdido, passando o valor para empréstimos com condições favoráveis.

Outra das propostas passava pela criação de um "mecanismo travão" que permitiria a um Estado-membro requerer uma avaliação do Conselho ou do Ecofin, antes do pagamento de uma nova tranche, sobre a forma como os países beneficiários estão a fazer reformas na sua economia. É uma aproximação à Holanda, que pedia poder para bloquear o acesso a fundos de outros países caso não existissem reformas ou o dinheiro fosse visto como mal aplicado.

Holanda e Áustria admitiram que a nova proposta avançava "num bom sentido" mas, com os parceiros Suécia e Dinamarca, insistem em novos cortes e numa distribuição diferente do orçamento comunitário até 2027. Portugal, por exemplo, poderia sair prejudicado, com reduções de verbas em áreas essenciais, como a coesão.

Ao final da tarde, o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte descrevia que o acordo estava num "impasse" e falava num "choque" com os países frugais. Esse impasse terminou com a reunião de ontem. Hoje será feita mais uma tentativa de acordo.

SAIBA MAIS
1,8
biliões de euros é o valor da proposta do Conselho Europeu para a resposta conjunta à crise criada pela pandemia. Deste bolo, 750 mil milhões dizem respeito ao fundo de recuperação da economia. Os outros 1,074 biliões formam o orçamento comunitário de 2021 a 2027.

Unanimidade necessária
Para que estas duas soluções possam avançar, fazendo com que o dinheiro comece a chegar ao diferentes países, os 27 Estados-membros têm de estar de acordo. Sem essa unanimidade, o processo não avança.

Bloco de Esquerda acusa Holanda de ser "irresponsável"
A líder do Bloco de Esquerda acusou a Holanda de ter uma "posição irresponsável" nas negociações. "Parece-me particularmente irresponsável a posição da Holanda, de querer um veto sobre as políticas dos outros países para os fundos. Mas a mesma Holanda tem uma política de dumping fiscal na União Europeia", afirmou. Catarina Martins lembrou que as condições fiscais holandesas estão a impedir que os impostos das empresas possam ser pagos nos respetivos países de origem.

FMI pede "ação" para recuperação das economias
A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, pediu ontem mais ação para acelerar a recuperação económica. A responsável reuniu-se, virtualmente, com ministros das Finanças e governadores dos bancos centrais das 20 maiores economias. "Uma ação de políticas mais aprofundada será necessária, bem como o aumento da cooperação", posicionou.
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