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Correio da Manhã

Política
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Hostes de Portas acusam líder de fugir às directas

A disputa pela liderança do CDS-PP tem de ser resolvida em congresso extraordinário. Quem o diz é Ribeiro e Castro, apesar de garantir que não tem medo do confronto “nem em directas nem em congresso”. Mas a sua recusa em discutir as eleições directas no próximo Conselho Nacional é entendida pelos apoiantes de Paulo Portas como fuga a um despique mais aceso, rápido e democrático.
5 de Março de 2007 às 00:00
Diogo Feyo confessou-se 'perplexo' com decisão da comissão política
Diogo Feyo confessou-se 'perplexo' com decisão da comissão política FOTO: João Relvas, Lusa
“É evidente que o dr. Ribeiro e Castro está a fugir das eleições directas”, afirmou ao CM António Carlos Monteiro, que não poupa críticas ao líder do partido por não permitir a discussão das eleições directas no Conselho Nacional, que será agendado nos próximos dias pela presidente do órgão, Maria José Nogueira Pinto.
A mesma opinião é partilhada pelo deputado Diogo Feyo, que se confessou “perplexo” com a decisão da comissão política, que anteontem à noite aprovou a proposta de Ribeiro e Castro que determina a marcação do congresso extraordinário no próximo Conselho Nacional. “Fiquei perplexo. Não compreendo por que se quer avançar com soluções que podem dificultar a batalha eleitoral e prolongar por mais de dois meses a discussão de estatutos, quando deveríamos estar a discutir questões políticas”, disse ao CM. E acrescentou: “Não quero acreditar que o dr. Ribeiro e Castro esteja a resistir ou tenha qualquer espécie de temor em relação às eleições directas.”
Ribeiro e Castro assegurou anteontem à noite, após quatro horas de reunião com a comissão política, que se prolongou noite dentro, que não tem medo das directas. Mas à saída do encontro explicou: “Nesta altura, o mecanismo que o partido tem para resolver uma disputa de liderança e de rumo, que é o que está em causa, é o congresso electivo. Portanto, a afirmação da minha disponibilidade para fazer essa disputa é nesse quadro.”
Os apoiantes de Paulo Portas lembram no entanto que o Conselho Nacional tem “mandato do congresso para institucionalizar as eleições directas” e, por isso, vão insistir na discussão das directas, apesar da recusa do presidente do partido.
Segundo apurou o CM, a proposta de Ribeiro e Castro para discutir apenas a marcação do congresso extraordinário no Conselho Nacional foi aprovada com 28 votos a favor, sete contra e cinco abstenções. E apesar de Anacoreta Correia ter defendido publicamente as eleições directas, terá votado a favor da proposta do líder centrista.
NOTAS
NARANA COISSORÓ
O dirigente do CDS-PP Narana Coissoró considerou ontem que a realização de um congresso extraordinário é o “caminho mais rápido” para resolver a disputa da liderança do CDS-PP. “O partido não pode atropelar os estatutos. O CDS-PP não é um partido unipessoal”, afirmou.
LÍDER PARLAMENTAR
Nos dias que antecederam à declaração de Paulo Portas, segundo apurou o CM, vários militantes e dirigentes afectos a Ribeiro e Castro acreditavam que o ex-presidente do partido iria avançar, não para a liderança do CDS-PP, mas para a presidência da bancada parlamentar.
CONSELHO NACIONAL
Apesar de a lista afecta a Paulo Portas, liderada pelo deputado António Carlos Monteiro, ter a maioria dos conselheiros eleitos em congresso, as inerências da comissão executiva e política fazem com que a direcção de Ribeiro e Castro seja maioritária no Conselho Nacional.
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