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Correio da Manhã

Política
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Igreja colabora e Constâncio elogia

"É o Governo da Nação, vamos esperar e vamos todos colaborar." A reacção cautelosa, mas colaborante com o novo elenco do Executivo é do Cardeal-patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, que se reuniu esta semana com o primeiro-ministro indigitado, José Sócrates, em São Bento.
24 de Outubro de 2009 às 00:30
José Sócrates aposta em Teixeira dos Santos
José Sócrates aposta em Teixeira dos Santos FOTO: José Sena Goulão/Lusa

Em declarações à Rádio Renascença, D. José Policarpo confirmou o encontro, captado em imagens televisivas, mas garantiu que a nova equipa do Governo socialista não esteve em discussão. Mas, se as palavras são de expectativa, a polémica entre a Igreja e o Executivo poderá surgir a breve trecho quando o Parlamento começar a debater a legalização do casamento entre homossexuais.

A partir da Madeira, o governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, considerou que "na área económica há continuidade e isso tem aspectos positivos. São pessoas que conhecem bem os problemas que temos e as orientações necessárias para os superar", num elogio aos ministros das Finanças, Teixeira dos Santos, e da Economia, Vieira da Silva. Porém, avisou que, se a composição do Executivo socialista é um sinal de "estabilidade", a crise ainda não passou e a "recuperação será lenta e débil".

SECRETÁRIOS

E se o elenco de ministros já é conhecido, os nomes dos secretários de Estado só devem ser revelados na próxima terça-feira, um dia após a tomada de posse do Governo. A única certeza para já é a da manutenção de Laurentino Dias no Desporto.

Ao nível da bancada socialista, a equipa liderada por Francisco Assis ainda poderá ficar condicionada mais alguns dias, uma vez que há a incerteza quanto à saída de mais algum deputado para o Executivo. E não seria de estranhar que José Sócrates chamasse parlamentares para compor o elenco. Alguns dos titulares das pastas do Governo têm um perfil mais técnico, o que pode obrigar a fazer uma escolha de secretários de Estado ligados ao aparelho do PS.

Quem já não senta na bancada do PS é Alberto Martins, o novo ministro da Justiça, que se despediu há dois dias do Parlamento. A sua escolha é elogiada pelo constitucionalista Jorge Miranda. Já Bacelar Gouveia, não gostava de estar na pele do novo ministro.

MAÇONARIA COM MAIS UM LUGAR

Jorge Lacão, novo ministro dos Assuntos Parlamentares, vai aumentar o número de maçons no Governo. E isto porque nenhum dos ministros afastados pertence à Maçonaria. Passam assim a ser cinco os ministros maçons, todos no núcleo duro de José Sócrates. Lacão junta-se a Luís Amado, ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Santos Silva, Defesa, Rui Pereira, Administração Interna, e Alberto Martins, Justiça.

SAMPAIO PROPÕE UMA REVISÃO

Moção de censura construtiva. É esta a novidade que o ex-presidente da República, Jorge Sampaio, gostaria de ver consagrada na próxima revisão constitucional para proteger os governos minoritários. À TSF, o antecessor de Cavaco Silva propôs, a exemplo do que se passa em Espanha, que a censura só seja admitida quando houver garantias no Parlamento da substituição do Governo com maioria absoluta.

PORMENORES

AMADO NO ESTRANGEIRO

Luís Amado será o primeiro membro do Governo a representar Portugal numa reunião ministerial da União Europeia, horas depois de tomar posse.

JUSTIÇA DESPEDE-SE

O gabinete de imprensa do Ministério da Justiça, do qual sai Alberto Costa, enviou uma mensagem electrónica em forma de despedida a todos os jornalistas, com uma citação de Oscar Wilde,

COM LINO NO PCP

António Mendonça, ministro das Obras Públicas, partilha com Lino um traço político: são ex-membros do PCP, tendo saído do partido na mesma altura.

'COZINHEIRO' DE CONSENSOS

António Mendonça, o homem que vai gerir os grandes investimentos, como o novo aeroporto e o TGV, é um professor universitário, de 55 anos, casado com uma ex--aluna de mestrado e pai de dois rapazes e duas raparigas. Diz, quem o conhece bem, que é uma pessoa afável, flexível e bom cozinheiro de petiscos mas também de consensos. "É um homem capaz de ouvir e de negociar", garante ao CM Manuel Farto, professor do ISEG e colega de António Mendonça há trinta anos, destacando a "postura de diálogo". O facto de não pertencer "ao sector" que vai gerir até pode ser uma vantagem, dando-lhe "a abrangência e o distanciamento" para uma tarefa que será "difícil". Como professor, é conhecido pela sua dedicação a preparar e a dar as aulas. Com o "dom da palavra, consegue manter a atenção de todos os alunos", recorda ao CM Pedro Leão, seu ex-aluno.

SERRANO DESPEDE-SE DE ÉVORA

António Serrano, o novo ministro da Agricultura, que nos últimos três anos liderou o Conselho de Administração do Hospital do Espírito Santo, em Évora, já se terá despedido dos colaboradores e colegas mais próximos, agora que parte para o Governo. Gestor de formação e professor catedrático da Universidade de Évora, o ministro vive actualmente numa vivenda na freguesia de Nossa Senhora da Saúde, próxima do centro histórico de Évora, com a família. Apontado como futuro reitor da Universidade de Évora, Serrano chegou a integrar a equipa do Ministério da Agricultura, à frente do Gabinete de Planeamento de Política Agro-Alimentar, cargo que alegadamente abandonou por divergências com Jaime Silva, seu antecessor, sendo então convidado para gerir o hospital de Évora.

LEVA FOTOGRAFIA DA VISTA DO GABINETE

Vieira da Silva despediu-se ontem do Ministério do Trabalho e como recordação levou uma fotografia da vista do seu gabinete, oferecida pelos colaboradores. Em entrevista à SIC, o ministro garantiu que não se agarra o passado e não escondeu o ‘nervosismo’ de assumir a pasta da Economia. Até porque, sublinhou o ministro: "Não gosto de fazer coisas mal feitas. Isso gera sempre alguma tensão."

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