Para o presidente da bancada dos liberais, na atual conjuntura, "não se pode perder o foco do essencial" em relação ao setor da habitação.
A IL considerou, esta sexta-feira, infelizes as declarações proferidas pelo presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), mas não pediu a sua demissão, alegando que as respostas aos problemas do setor não passam por esse ato.
Esta posição foi tomada pelo líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, em declarações aos jornalistas, no Parlamento, numa reação às afirmações feitas pelo presidente do IHRU, Benjamim Pereira.
Na quinta-feira, em Vila Nova de Gaia, Benjamim Pereira disse não saber "se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício" da anterior, argumentando que os seus próprios avós emigraram "para poderem ter uma casa".
Para o líder parlamentar da IL, essas declarações do presidente do IHRU "não foram felizes" e "o próprio já hoje o reconheceu".
"A política serve precisamente para que as próximas gerações não tenham de fazer os sacrifícios dos nossos avós e dos nossos pais. Não quero que os meus filhos e que os filhos dos portugueses tenham de emigrar para amealhar dinheiro, para depois voltarem a Portugal e então conseguirem comprar uma casa", salientou Mário Amorim Lopes.
Porém, para o presidente da bancada dos liberais, na atual conjuntura, "não se pode perder o foco do essencial" em relação ao setor da habitação.
"E, antecipando a pergunta se [o presidente do IHRU] deveria demitir-se, nós, na Iniciativa Liberal, não queremos cabeças a rolar, nós queremos gruas a funcionar. O problema do IHRU não é este presidente, vem de trás, vem de há muitos anos e nunca foi resolvido" contrapôs.
Mário Amorim Lopes apontou depois que há "bairros e habitações sociais completamente degradados que o IHRU não consegue manter".
"Temos projetos de construção com dois, três, quatro e cinco anos à espera que o IHRU avance. O IHRU é um bom exemplo de um Estado que não funciona e que não é capaz de ajudar a resolver os problemas da habitação", sustentou.
Ainda de acordo com o líder parlamentar da IL, Portugal tem "um Estado que possui dezenas de milhares de imóveis devolutos, que poderiam ser requalificados para que estarem no mercado com rendas acessíveis, com habitação acessível, a ajudar a resolver o problema, mas nada aconteceu".
"Mais do que estarmos a apontar culpados importa começar a resolver esses problemas. E esse é o repto que lançamos e, infelizmente, não foi acolhido pelos restantes partidos no sentido de conversarmos sobre as matérias em relação às quais existe entendimento", acrescentou.
Mário Amorim Lopes deixou ainda um conjunto de questões: "Alguém acha que os tempos de licenciamento são aceitáveis em Portugal, ou que a burocracia é aceitável em Portugal? Temos habitação pública suficiente para acomodar as necessidades que existem? Creio que não", completou.
Na quinta-feira, o presidente do IHRU falou sobre as manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa. Questionado sobre se a geração atual está a ter menor sacrifício do que a geração anterior, Benjamim Pereira disse não querer ir "por esse caminho".
"Só estou a dizer que os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida", prosseguiu.
Após pedir aos jornalistas para concluir o seu raciocínio, Benjamim Pereira disse que os seus familiares emigraram "porque a casa era, efetivamente, uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje".
"É preciso que haja um compromisso de todos. Reparem, os jovens podem organizar-se, fazer cooperativas", afirmou.
Já esta sexta-feira, em comunicado, o presidente do IHRU admitiu que foram infelizes as expressões que utilizara na véspera sobre a capacidade de sacrifício dos jovens e alegou que não teve intenção de desvalorizar as dificuldades na habitação ou sugerir a emigração.
"Embora sem qualquer intenção, aceito não ter sido feliz em todas as expressões que utilizei, mas acredito no que estou a fazer, acredito no caminho delineado pela tutela e dou todos os dias o meu melhor", afirmou Benjamim Pereira.
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