Mariana Leitão defende também a revisão da lei laboral, insistindo que o Governo deve levar o tema ao parlamento.
A presidente da IL pediu esta terça-feira ao executivo que ponha na governação o "mesmo esforço e empenho" que dedica à propaganda, embora tenha considerado normal o recurso a ferramentas como o Newswhip.
Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Sagalexpo, na FIL, em Lisboa, Mariana Leitão comentou a polémica em torno da contratação da ferramenta NewsWhip pelo executivo, defendendo que é normal que "haja cuidados na área da comunicação" por partes dos governos, mas deixando críticas ao investimento feito em propaganda.
"É normal que os governos também utilizem alguns desses serviços. Agora, o que é importante é que este Governo, que de facto tem feito um investimento enorme em propaganda, comece a pôr o mesmo esforço e o mesmo empenho na governação. Eu acho que esse deveria ser o foco", afirmou.
Para Mariana Leitão, se o executivo liderado por Luís Montenegro "conseguir pôr tanto esforço em governar o país bem, como tem posto em propaganda, em ferramentas de comunicação, investimento para redes sociais, certamente que o país ficaria melhor".
A líder liberal abordou também a revisão da lei laboral, insistindo que o Governo deve levar o tema ao parlamento, depois de dezenas de reuniões na concertação social sem "sequer um vislumbre de consenso".
Leitão reiterou que a IL procurará, na discussão parlamentar, "flexibilizar o mercado laboral" sem comprometer a segurança dos trabalhadores, mas não adiantou propostas concretas, sublinhando que neste momento não é sequer conhecido o ponto exato em que está o documento em discussão.
"É importante que o Governo nos apresente o documento final", sublinhou, frisando também que o partido vê como resolvidas a "grande maioria das coisas" sobre as quais tinha reservas, como as mudanças nos direitos de parentalidade.
Mariana Leitão referiu ainda a reunião que o Presidente da República, António José Seguro, pretende ter com os parceiros da concertação social, considerando que só será útil se de lá surgir uma solução para esta situação.
"Se for só mais uma reunião para depois ficar tudo na mesma, desculpem, não é produtiva certamente", considerou.
Sobre a substituição do secretário de Estado da Gestão da Saúde, anunciada esta manhã pela Presidência da República, Mariana Leitão disse desconhecer os contornos desta mudança, mas defendeu que "os problemas da saúde e a forma de os resolver não dependem das pessoas que lá estão, dependem sim das políticas que são seguidas".
"É preciso não esquecer que Luís Montenegro ainda em 2024 disse que ia resolver os problemas da saúde em 60 dias. Passaram-se dois anos e nós continuamos à espera", atirou.
Em relação à subida dos preços nos alimentos, a líder da IL pediu uma resposta "muito mais estrutural" do que conjuntural, caso contrário, argumentou, "cada vez que houver qualquer situação que não se está à espera", como uma tempestade ou uma guerra, o país estará "sempre à mercê destas flutuações".
"É importante que haja, por parte do Governo, um esforço para que se consiga baixar verdadeiramente os impostos, nomeadamente combustíveis, os impostos sobre o trabalho, o próprio IRC, para garantir que as empresas também se tornam mais competitivas", apelou.
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