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Correio da Manhã

Política
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INCÊNDIO APAGOU PROVAS

O presidente da Câmara do Marco de Canaveses está indiciado pelos crimes de insolvência dolosa, falsificação de documentos e desvio de fundos comunitários, na sequência da conclusão de uma investigação levada a cabo pela Polícia Judiciária.
25 de Janeiro de 2003 às 00:00
Caberá agora ao Ministério Público deduzir as respectivas acusações caso entenda que há suficientes elementos de prova. No meio do processo até surge um incêncio que terá destruído provas.

Em causa está a eventual falência fraudulenta da empresa de que foi proprietário, as Confecções FT, e desvios de dinheiros públicos provenientes do IAPMEI.
Outros dois seus ex-sócios, Joaquim Reis Aguiar e Jorge Augusto Correia, estão indiciados por falsificação de documentos, relacionados com uma eventual simulação de cedência de quotas.

O processo de falência decorreu em 1996 mas os problemas nas Confecções FT começaram em 1992, quando um seu ex-sócio na empresa, António Ribeiro, na altura presidente da Junta de Freguesia de Sobretâmega, o acusou publicamente de não acertar contas com ele, no seguimento de uma acesa discussão num café da terra em que foram lançadas cadeiras pelo ar.

António Ribeiro lançava ainda outras acusações entre as quais a de ter sido levado à falência numa sua empresa de construção civil por se recusar a entregar ao presidente 30 mil contos. E foi em 1992 que Joaquim Reis Aguiar cedeu a sua quota na “FT” e que outro associado terá levado para o Brasil 200 mil contos. Uma verba que depois foi transformada em empréstimo de Ferreira Torres, que se diz credor dessa importância.

Só que esse crédito não tem suporte contabilístico porque em 1995 esses documentos arderam no incêndio do gabinete onde se encontravam arquivados.

O incêndio ocorreu em Agosto de 1995 e com as chamas desapareceram os documentos que atestavam e demonstravam a existência do empréstimo.
Quanto a verbas do IAPMEI depositadas na conta pessoal, Ferreira Torres já o admitiu, embora negue qualquer ilegalidade.

FILHA DA PUTICE

Ferreira Torres reagiu à divulgação das suspeitas que sobre si impendem no estilo truculento que o tem tornado famoso.

Ontem, depois do seu gabinete de imprensa ter anunciado aos jornalistas que o presidente iria estar em directo no “Jornal da Tarde”, apareceu na RTP1 em atitude de contra-ataque, negando quaisquer irregularidades e intimidando a jornalista do “JN” que lançou a notícia do fim do inquérito da Polícia Judiciária, ameaçando que pode recorrer à “justiça de Fafe”, ou seja, à paulada: “Que tenham cuidado que eu sou menino de ir a casa deles puxar-lhes as orelhas”, ameaçou.

Avelino Ferreira Torres ficou particularmente agastado com o facto de ter sido feita uma referência à sua mulher e à sua filha, ambas sócias das Confecções FT.
”Que se metam comigo, que eu cá me si defender. Agora, se se metem com a minha mulher e os meus filhos, isso é uma filha da putice que não admitirei. Se a justiça dos homens ou dos juízes não funcionar, funciona a de Fafe”, avisou.

Ferreira Torres insurgiu-se ainda contra o facto de estarem a vir a público pormenores que deveriam estar em segredo de justiça.

Finalmente, sem nomear ou aditar explicações, afirmou que o ataque de que é alvo tem origem nas denúncias de dois deputados socialistas pelo Porto, ligados a uma empresa de lixos.
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