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Correio da Manhã

Política
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Independente investiga dossiê de José Sócrates

A Universidade Independente (UnI) abriu um processo de investigação para averiguar a origem de eventuais falhas no dossiê de licenciatura de José Sócrates, entre as quais a divergência entre as notas registadas em pauta e as assinaladas no certificado de habilitações. “Estamos a tentar perceber se a informação é verdadeira e, a ser, como aconteceu”, disse ao CM o porta-voz da direcção daquela instituição, João Carlos Santos.
23 de Março de 2007 às 00:00
A polémica sobre o percurso académico do primeiro-ministro surgiu após vários blogues questionarem a legitimidade de José Sócrates de usar o título de engenheiro e a forma como obteve a licenciatura. O que levou o advogado José Maria Martins, segundo apurou o CM, a apresentar uma participação criminal na Procuradoria-Geral da República (PGR). Até ao fecho desta edição, o CM não obteve resposta da PGR.
Mas afinal José Sócrates é ou não engenheiro? A resposta é não. Segundo disse ao CM o bastonário da Ordem dos Engenheiros (OE), Fernando Santo, “não existem registos” do primeiro-ministro na instituição. E adiantou que “só a OE pode atribuir o título de engenheiro”. Aliás, o curso na Universidade Independente, onde Sócrates se licenciou, não é acreditado pela OE. Por isso, o chefe do Governo teria de se propor a um exame da instituição para se tornar engenheiro. O que não aconteceu.
O porta-voz da UnI confirma que a instituição não é acreditada porque “não estavam reunidos todos os requisitos impostos pela OE”. Mas, garantiu, “vai ser solicitada uma reapreciação brevemente”, uma vez que, entretanto, a UNI restruturou os seus cursos com base no modelo de Bolonha.
O percurso académico do primeiro-ministro motivou pedidos de esclarecimento do PSD e do CDS depois de o jornal ‘Público’ ter noticiado alegadas falhas no dossiê de Sócrates. Em causa estão, por exemplo, as diferentes notas atribuídas na disciplina de Betão Armado e Pré-esforçado, onde Sócrates teve na nota manuscrita 17, mas no certificado 18. O mesmo acontece na cadeira de Projecto e Dissertação. Só na análise de estruturas a avaliação é diminuida de 17 para 16.
Questionado sobre estas falhas, o porta-voz da UnI garante que “não há memória de casos semelhantes” na instituição, a não ser “a de uma ocorrência, também reportada na Comunicação Social, mas que se concluiu tratar-se de um caso de falsificação”. Já os partidos à esquerda (PS, PCP, BE) não quiseram comentar o assunto.
O QUE DISSE SÓCRATES
"Não posso, porém, deixar de me indignar com mais uma campanha de insinuações, suspeitas e boatos."
"É lamentável que se utilize a situação actual da UnI para se atingirem os seus antigos alunos."
REACÇÕES
"NÃO EXISTEM REGISTOS NA ORDEM" (Fernando Santo, Ordem dos Engenheiros)
O bastonário da Ordem dos Engenheiros (OE), Fernando Santo, afirmou ao CM que “não existem registos” de José Sócrates na instituição. Fernando Santo ressalvou, no entanto, que “não estamos preocupados com quem usa o título, mas com quem assume os actos de engenharia sem competências”, tal como acontece na Administração Pública.
"NÃO SE DEVE TENTAR SILENCIAR" (Pedro Duarte, PSD)
Pedro Duarte, vice-presidente da bancada do PSD, exigiu esclarecimentos do primeiro-ministro sobre a investigação feita pelo jornal ‘Público’, que aponta falhas na licenciatura de José Sócrates. “A posição do primeiro-ministro não deve ser tentar silenciar uma investigação jornalística. Compete ao seu gabinete esclarecer cabalmente esta situação”, disse.
"DEVE ESCLARECER TODAS AS DÚVIDAS (Pedro Pestana Bastos, CDS-PP)
Pedro Pestana Bastos, membro da comissão política do CDS-PP, considerou ontem que o primeiro-ministro deve esclarecer “todas as dúvidas” existentes sobre o seu percurso académico, mas recusou fazer do assunto “chincana política”. “O engenheiro José Sócrates, se assim o for, é primeiro-ministro de Portugal, independente do título”, afirmou ao CM o democrata-cristão.
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