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Iniciativa Liberal acusa PCP e CGTP de "tónica agressiva"

Mariana Leitão disse que não responsabiliza "diretamente a CGTP" pelo sucedido, porque a central sindical "não pode ser responsável por todas as pessoas que ali estão e pelos desacatos".

04 de junho de 2026 às 17:12

A líder da Iniciativa Liberal acusou esta quinta-feira a CGTP e o PCP de terem adotado "uma tónica agressiva, de completa inflexibilidade" em relação à reforma laboral, e considerou que essa postura contribui "para o aumentar das tensões".

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita à Feira do Livro de Lisboa, Mariana Leitão referiu-se à greve geral de quarta-feira, convocada pela CGTP, e aos desacatos que aconteceram no final da manifestação, junto à Assembleia da República, que resultaram em seis detidos.

A presidente da IL condenou "uma atitude completamente extremada, violenta, de agressão" e considerou que "têm sido sucessivos os eventos em que as coisas, por conta de uma qualquer reivindicação, resvalam para situações de violência".

"Isso não é admissível num Estado democrático. As pessoas não podem querer impor a sua visão, a sua vontade numa democracia", defendeu.

Mariana Leitão disse que não responsabiliza "diretamente a CGTP" pelo sucedido, porque a central sindical "não pode ser responsável por todas as pessoas que ali estão e pelos desacatos".

"Agora, há uma coisa que a CGTP tem responsabilidade e o PCP também, que foi na tónica que meteram nesta greve geral, uma tónica agressiva, de completa inflexibilidade para o que quer que seja que se pretenda alterar. E aí, sim, de alguma forma contribuem para este acicatar da situação e para uma certa escalada que ocorreu ontem e que, infelizmente, ocorre também em outras circunstâncias, nomeadamente quando se impedem pessoas de ir trabalhar", acusou, considerando que, "com o seu discurso, contribuem para o aumentar das tensões".

A presidente da IL assinalou que a proposta do Governo para alterar a lei laboral vai ser discutida no Parlamento no dia 18 de junho considerou que "há o risco" de o diploma ser rejeitado já na generalidade.

Assinalando que "é preciso uma maioria para passar", Mariana Leitão disse que à esquerda "vão todos votar contra, incluindo o PS", e o Chega "também já disse que é contra" e "quer uma série de contrapartidas completamente irresponsáveis, que também não fazem sentido nenhum", nomadamente "misturar o Código do Trabalho com a idade da reforma".

"Aquilo que nós precisávamos era de garantir que dávamos resposta às pessoas e fazê-lo de forma construtiva, explicando o que é que está em causa e garantindo que as pessoas, no fundo, percebem que estas alterações são necessárias como forma de melhorar a sua própria vida, e não andarmos sempre aqui nestas tricas políticas e a misturar assuntos", salientou.

A liberal considerou que "ninguém quer que nada mude" e criticou a posição do Chega, considerando que "não podem pregar de serem reformistas à segunda-feira e a seguir bloquearem aquilo que o país precisa à terça, que é aquilo que infelizmente temos assistido sistematicamente".

Mariana Leitão advogou também que seria "bastante irresponsável" descer a idade da reforma, como o Chega propõe, sem uma "transformação no modelo da Segurança Social", alertando que poria em causa a sustentabilidade da Segurança Social.

"Espero mesmo que isso não seja uma moeda de troca, pelo menos neste momento", afirmou.

Na ocasião, a líder da IL foi questionada também sobre a Spinumviva e notícias que dão conta de que o primeiro-ministro insiste em tentar impedir o acesso público a informação relativa à empresa que fundou e que é atualmente detida pelos seus filhos.

Mariana Leitão instou Luís Montenegro a "clarificar a situação" e considerou que, "ao fazer alguns expedientes para evitar entregar alguma documentação ou informação que lhe esteja a ser solicitada, não está a contribuir para que se dissipem todas as dúvidas".

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