Sessenta e sete empresários acompanham o Presidente da República, Cavaco Silva, na visita de Estado à Índia entre 10 e 17 de Janeiro. A escolha da comitiva empresarial obedeceu a regras inéditas: a Agência Portuguesa para o Investimento e o ICEP realizaram um inquérito aos empresários, que responderam sem conhecer o seu objectivo: a viagem.
Afinal, trata-se de uma “ visita de trabalho a um país que é uma grande potência emergente”. É assim que o Chefe de Estado encara a viagem. Nada foi deixado ao acaso. Só vai quem, pelas experiências e intenções de investimento, possa relançar um diálogo comercial, até agora, quase insignificante.
Na lista contam-se os principais bancos portugueses, empresas de turismo, informática, telecomunicações, moldes e presidentes de associações empresariais. O objectivo é que esta visita não seja “nem um passeio turístico nem uma peregrinação”, segundo uma fonte da Belém, diferente da imagem da visita presidencial de Mário Soares em 1992.
Para o efeito, Cavaco Silva preparou a viagem em sigilo. Ao longo de meses reuniu-se com os empresários que se deslocam à Índia e também com os deputados que integram a comitiva. Tudo para que se possa “construir uma relação de futuro” com um dos países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), potências emergentes. Nesse sentido, Cavaco definiu que em todos os pontos da visita – Nova Deli, Goa, Bombaim e Bangalore – se realize um seminário económico. A Presidência não esquece o potencial de investimentos, mas também se regista o avanço de empresários indianos fora das fronteiras. Na Europa, por exemplo, o empresário indiano Lakshmi Mittal detém a Arcelor, a segunda maior produtora mundial de aço.
Outro dos pontos realçados por Belém, no capítulo diplomático e económico, é o papel que Portugal pode desempenhar como plataforma entre África e Brasil. Da viagem resultarão acordos na área da Educação e poderá ser assinado um tratado de extradição.
Durante a estada na Índia, Cavaco reúne-se com o presidente indiano, Abdul Kalam, o primeiro-ministro, Manmohan Singh, o líder da oposição, Lokh Sabha, e a líder do Partido do Congresso, Sonia Ghandi, além de homenagear Mahatma Ghandi. Em Goa, colónia portuguesa durante mais de 450 anos, recebe o doutoramento ‘honoris causa’ da Universidade de Goa, num dos pontos simbólicos da viagem. A seguir a Cavaco Silva, a Índia receberá Vladimir Putin, presidente russo.
PERFIL DE ABDUL KALAM
Abdul Kalam, de 75 anos, é engenheiro, cientista nuclear, escritor e poeta. Em 2002 tornou-se presidente da Índia e a sua missão é transformar o seu país numa nação desenvolvida.
67 EMPRESÁRIOS NA COMITIVA
Na visita de Estado do Presidente da República à India vai uma delegação de 67 empresários, que pagam a sua própria viagem. Entre eles destacam-se o presidentes da Galp, Murteira Nabo, da PT, Henrique Granadeiro, do BES, Ricardo Salgado, do BPI, Fernando Ulrich, e do Millennium BPC, Paulo Teixeira Pinto. Quase todas as áreas estão representadas nesta visita. É o caso da Logoplaste (Filipe de Botton), da Siemens (João Picoito), da Alcatel (João Araújo), da Dan Cake (Kantilal Jamnadas) e da Sonae (Carlos Bianchi de Aguiar).
TRÊS MINISTROS COM CAVACO
Os ministros dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, da Economia, Manuel Pinho, e da Cultura, Isabel Pires de Lima, representam o Governo na visita de Cavaco à Índia. Além dos ministros, também marcam presença os secretários de Estado dos Negócios Estrangeiros, Gomes Cravinho, e do Ensino Superior, Manuel Heitor, que substitui o ministro Mariano Gago. Os partidos também vão estar representados.
LISTA DE 13 CONVIDADOS
Para o acompanhar na primeira visita de Estado à Índia, Cavaco fez questão de convidar Leonor Beleza, presidente da Fundação Champalimaud, Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente, e Teresa Patrício Gouveia, da Fundação Gulbenkian. Da lista de 13 convidados fazem ainda parte Narana Coissoró, do Instituto Oriente e da Casa de Goa, e Katia Guerreiro, fadista e ex-mandatária da Juventude de Cavaco.
BALANÇA COMERCIAL DESFAVORÁVEL
A Índia é um mercado com 1,1 mil milhões de pessoas mas a balança comercial é desfavorável para Portugal, que, em 2005, fez exportações no valor 21,55 milhões de euros e importou 208,1 milhões de euros.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, registou-se um crescimento tanto das importações (4,9%) como das exportações portuguesas (13,7%) entre 2001 e 2006.
Este crescimento, porém, é insuficiente para inverter o défice para Portugal – um saldo negativo de 160,6 milhões de euros de Janeiro a Setembro de 2006. Nos primeiros nove meses de 2006, de Janeiro a Setembro, segundo as previsões do INE, Portugal exportou 21,5 milhões de euros, contra os 182,1 milhões de euros de importações.
Ainda segundo os dados do INE, o número de empresas que exporta para a Índia cresceu desde 2000 a 2004, de 198 a 349 empresas. Também o número de empresas que fazem importações da Índia subiu, de 1163 em 2000 para 1620 quatro anos depois.
Em 2005, de acordo com o INE, 40% da exportação portuguesa foi maquinaria, seguida de produtos de plástico e borracha (12 por cento), metais (8,2%), peles e couros (6,3%), têxteis 5,9 por cento) e pasta de celulose (5,7 %).
EVOLUÇÃO DAS TROCAS COMERCIAIS COM A ÍNDIA (MILHARES DE EUROS)
Exportações: 16 007 (2001) / 16 566 (2002) / 18 223 (2003) / 24 850 (2004) / 21 559 (2005)
Importações: 179 163 (2001) / 196 440 (2002) / 158 969 (2003) / 175 561 (2004) / 208 176 (2005)
SALDO: -163 155 (2001) / -179 874 (2002) / -140 746 (2003) / -157 198 (2004) / -182 326 (2005)
SOARES E O ELEFANTE
Mário Soares foi o primeiro Presidente português a fazer uma visita de Estado à Índia, em 1992. Cantou e dançou música portuguesa em Goa e teve uma recepção triunfal em Damão e Diu, ex-colónias portuguesas durante 451 anos.
Para a história desta viagem ficará a fotografia do casal Soares de turbante, em Jaipur, cidade dos marajás, no famoso passeio de elefante.
TRATADO DE EXTRADIÇÃO
Portugal e Índia estão a negociar um tratado de extradição que poderá ser assinado na próxima semana em Nova Deli.
BOLLYWOOD EM PORTUGAL
A indústria de cinema indiano, a Bollywood, poderá rodar filmes em Lisboa para atrair mais turistas indianos a Portugal, noticiou o ‘Indian Times’.
MISSA EM PORTUGUÊS EM GOA
Em Goa, onde ainda é visível a herança portuguesa, Cavaco Silva assiste a uma missa em português, na Basílica do Bom Jesus.
VISITA AO 'SILICON VALLEY'
Nos últimos dias de visita Cavaco irá a Bangalore, o ‘Silicon Valley’ da Índia, onde está um grande número de empresas de tecnologia de ponta.
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