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Correio da Manhã

Política

IRAQUE APROFUNDA DIVISÕES NA UE

As divisões entre os membros da União Europeia aprofundaram-se ontem com a França a instar a ONU a estabelecer um calendário para o desarmamento do Iraque e a Grã-Bretanha a insistir na necessidade de uma intervenção militar. A nova confrontação ocorreu durante a reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos Quinze, ontem, em Bruxelas.
25 de Fevereiro de 2003 às 00:00
O encontro contou com a presença do secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que pediu aos responsáveis pela diplomacia europeia para evitarem uma guerra no Iraque, porque esta “só serviria para aprofundar a frustração e a militância no Médio Oriente”. “Não se pode minimizar nunca as consequências de uma guerra, especialmente numa região como o Médio Oriente, já bastante frustada com a ocupação israelita”, frisou Amr Moussa.

Por seu lado, os ministros dos Quinze asseguraram que vão pressionar os Estados Unidos a desenvolverem novos esforços para promover a paz entre árabes e israelitas ao mesmo tempo que tentam desarmar o Iraque.

O alargamento da União Europeia aos Balcãs foi outro tema dominante da reunião dos chefes da diplomacia da UE. O pedido de adesão apresentado pela Croácia, na passada sexta-feira, obriga a UE a elaborar uma nova estratégia para acolher os países da antiga república da Jugoslávia, a quem a adesão foi prometida. Para já, ainda não foi tomada qualquer decisão, mas a presidência grega da UE já apelou a um maior investimento nos Balcãs.

GUERRA ATRASA CONVENÇÃO

O presidente da Convenção sobre o Futuro da Europa, Valéry Giscard d’Estaing, teme que os trabalhos deste fórum venham a ser atrasados por uma eventual intervenção militar no Iraque. A Convenção deverá terminar os seus trabalhos em Junho, com a apresentação de uma proposta de Constituição ou de Tratado Constitucional para a União Europeia. Durante uma visita a Atenas, Giscard d’Estaing afirmou temer que “a tensão internacional” atrase os trabalhos, pelo que apelou a todos os intervenientes para “não abrandarem o ritmo de modo a conseguirem finalizar uma proposta de Constituição até ao fim do mês de Junho”. O receio de um atraso nos trabalhos foi, também, referido pelo vice-presidente da Convenção, o ex-primeiro-ministro belga Jean-Luc Dehaene, frisando que “não há espaço para se entrar em pânico”. Para já, a crise iraquiana, nomeadamente as divisões entre os Quinze sobre a questão, teve um impacto negativo na Convenção, porque obrigou ao adiamento dos debates sobre o futuro da política externa comum da União.
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