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Correio da Manhã

Política
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“Eleição não é uma corrida às percentagens”, diz João Ferreira em entrevista na CMTV

Candidato do PCP evita falar da sucessão no partido. Sobre ter mais votos do que Marisa Matias, acena com apoios de setores novos.
Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) e Diana Ramos 14 de Janeiro de 2021 às 01:30
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“Isto não é uma prova de atletismo”, diz João Ferreira em entrevista na CMTV
Aos 42 anos, João Ferreira quer centrar as atenções na candidatura à presidência da República e evita falar do futuro do PCP. Sobre o confinamento, admite que não há outra opção no atual contexto.

CM – O que acha do confinamento?
João Ferreira - O curso da pandemia foi de tal ordem que chegámos a uma situação em que temos de perceber esta decisão. Houve uma evolução preocupante, com um crescimento muito rápido nos contágios, o que teve uma tradução na ocupação das unidades hospitalares, dos Cuidados Intensivos e nos óbitos. O OE prevê um reforço de 400 camas nos Cuidados Intensivos e é importante que isso se concretize.

–Acha perigoso que as escolas se mantenham abertas?
- É positivo que se garanta a continuidade das escolas. Assisti à reunião do Infarmed e não houve nenhum especialista que defendesse abertamente o fecho de escolas. O prejuízo seria muito grande.

–Que adaptações vai fazer na sua campanha?
- Já houve uma alteração de alto a baixo. Cancelámos iniciativas e alterámos a natureza de outras. Não vamos ter contacto de rua de massas. Mas é importante não abandonar um trabalho de esclarecimento e mobilização. As eleições não podem passar ao lado das pessoas. Vamos ter sessões online, contacto presencial em condições em que a saúde é protegida. Milhares de trabalhadores não vão parar e vou procurar estar próximo deles.

–Está previsto também que a sua campanha seja a mais gastadora [450 mil euros]...
- Foi feita uma estimativa de custos máximo e as contas finais ficarão muito abaixo .

–Sucede a Edgar Silva que, em 2016, teve 3,95% dos votos. Qual é a sua fasquia?
- Esta candidatura é apoiada por PCP e PEV. E tem havido uma tentação dos comentadores em a confinar a determinada fronteira partidária. Já demonstrámos nos apoios - e nos próximos dias acontecerá novamente - que incluímos outros partidos. Não ando aqui a concorrer para percentagens.



–Em 2016 foi a primeira vez que o candidato do PCP ficou atrás do BE. Isso preocupa-o?
- Isto não é uma prova de atletismo, não é um teste de popularidade. É uma questão a que não atribuo importância.

–Não atribuiu importância ao voto dos eleitores?
- O voto dos cidadãos é importante, mas quero que seja em função do que cada candidato defende. Quero que as minhas ideias vão o mais longe possível, mas não fixo fasquias.

–Falo com autarcas da CDU e muitos o apontam como a pessoa certa para suceder a Jerónimo de Sousa...
- Muitos deles também dirão que sou a pessoa indicada para exercer as funções de PR, é nisso que estou concentrado.

–Carlos Carvalhas foi candidato presidencial e secretário-geral. Jerónimo também...
- E houve candidatos que não foram secretários-gerais. Não posso, nem devo, desvalorizar a minha candidatura. E era isso que faria se lhe respondesse.

–Porque acha que está a ser tão difícil ao PCP renovar-se?
- Há desafios que o PCP enfrenta, mas tem sabido enfrentá-los. Se olhar para a AR não vê uma bancada envelhecida.

–André Ventura conseguiu irritá-lo no debate? Porquê?
- Mesmo quando se confrontam visões diferentes é conveniente que isso seja feito de forma ordeira. Quando as regras não são respeitadas há uma desordem lamentável... Fiz o que tinha de fazer para respeitar a urbanidade, mas entendi que não me devia calar.

–Enunciou que "os povos têm o direito a escolher o seu destino" quando foi confrontado com ditaduras de esquerda. Os povos escolhem em países como a Coreia do Norte?
- Disse duas coisas que são fundamentais: que pautaria o meu relacionamento com outros países pelo princípio do relacionamento respeitando a independência e soberania de cada um; e que o meu projeto de democracia me afasta de numerosas experiências, designadamente a que referiu.

–O que fez Marcelo Rebelo de Sousa que nunca faria?
- Não sujeitaria jovens à procura do primeiro emprego a uma vulnerabilidade acrescida com a promulgação das alterações à lei laboral, não teria colocado o peso das minhas intervenções do lado da contenção da evolução salarial. Não me ouviria a dizer que 635 euros é um valor razoável para o salário mínimo nacional. Não dificultaria uma Lei de Bases da Saúde e não criaria dificuldades à recuperação para o poder público de empresas estratégicas para o País.
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