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Correio da Manhã

Política

Jantares de amigos de Sócrates custam 20 mil euros

José Sócrates juntou à mesa, durante dois anos, um grupo de amigos, sendo a conta paga por Santos Silva.
Diana Ramos 27 de Agosto de 2017 às 01:30
José Sócrates
Ministro Vieira da Silva
Pedro Silva Pereira, ex-braço-direito de Sócrates no governo
João Galamba, porta-voz do PS
Carlos Santos Silva
José Sócrates
Ministro Vieira da Silva
Pedro Silva Pereira, ex-braço-direito de Sócrates no governo
João Galamba, porta-voz do PS
Carlos Santos Silva
José Sócrates
Ministro Vieira da Silva
Pedro Silva Pereira, ex-braço-direito de Sócrates no governo
João Galamba, porta-voz do PS
Carlos Santos Silva
Os jantares de um grupo de amigos de José Sócrates custaram, em dois anos, a Carlos Santos Silva, suspeito de ter recebido subornos de vários milhões de euros destinados a Sócrates, mais de 20 mil euros.

Nesse grupo de convivas, participavam, segundo a edição de ontem do ‘Sol’, Pedro Silva Pereira, eurodeputado do PS e ex-braço-direito de Sócrates no governo, Vieira da Silva, atual ministro da Segurança Social, João Galamba, porta-voz do PS, e João Constâncio, filho de Vítor Constâncio.

Os jantares aconteciam quase todas as sextas-feiras no Tertúlia do Paço, restaurante na zona do Lumiar (Lisboa) que é conhecido pelo marisco e peixe fresco. Mesmo não participando nesses jantares, segundo o ‘Sol’, as novas escutas integradas na operação Marquês revelam que a despesa das refeições era paga por Santos Silva.

Por exemplo, a 28 de julho de 2013, o empresário amigo de Sócrates recebeu um SMS com a conta do jantar do grupo: "Sr. Eng., o total é 5620,47 euros. Obrigado."

O CM contactou Pedro Silva Pereira e João Galamba, mas ambos escusaram fazer comentários sobre esse assunto.

Sócrates e Santos Silva são os principais arguidos no inquérito que o Ministério Público tem em curso ao ex-primeiro-ministro desde o final de julho de 2013. O ex-primeiro-ministro é suspeito de ter recebido subornos de 29 milhões de euros do Grupo Espírito Santo (GES), 2,8 milhões de euros do Grupo Lena e um milhão de euros dos responsáveis do empreendimento de Vale do Lobo. O dinheiro terá chegado a Sócrates através de Santos Silva e do primo José Paulo Pinto de Sousa.

Costa "não tem ‘tomates’" para  chefiar Governo
Sócrates considerou, em 2014, que António Costa, atual primeiro-ministro, "não tem ‘tomates’" para chefiar um Governo.
Segundo as novas escutas, Sócrates fez esse comentário a António Peixoto, blogger suspeito de ter sido pago pelo ex-primeiro-ministro para defender o seu governo. As escutas revelam que Sócrates defendeu que Marinho e Pinto devia ser o líder do PS.

Gastos com viagens atingem 143 mil euros
As férias de Sócrates em Menorca (2008), em Veneza (fim de 2008) e Formentera (2014) custaram 143 mil euros. Foram pagas por Santos Silva.

1,16 milhões de euros entregues em notas
O Ministério Público alega que Carlos Santos Silva fez 127 levantamentos em dinheiro, no total de 1,16 milhões de euros, que entregou a Sócrates.

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são os arguidos constituídos na operação Marquês. Entre esses estão, além de Sócrates e Santos Silva, Ricardo Salgado, ex-líder do Grupo Espírito Santo, e Joaquim Barroca Rodrigues, gestor do Grupo Lena.

Agente corruptor
O Ministério Público considera Ricardo Salgado o agente corruptor de Sócrates, alegando que este terá sido subornado para tomar decisões favoráveis ao Grupo Espírito Santo na PT.

Processo tem 91 volumes
O inquérito da operação Marquês já tem 91 volumes e 452 apensos sobre vários temas. Já foram efetuadas 263 buscas, em 156 das quais foram apreendidos documentos.

Acusação em breve
O Ministério Público deverá concluir o inquérito da operação Marquês em breve. Admite-se que a acusação a Sócrates seja proferida em setembro ou após as eleições autárquicas.
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