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Correio da Manhã

Política

Jardim diz que madeirenses estão a perder a paciência

A uma semana das eleições regionais, Alberto João Jardim disse ontem que os madeirenses estão a perder a paciência e lançou o aviso: "Que ela se esgote de boa maneira e não se esgote de má maneira", disse, na inauguração de uma unidade de saúde privada.
2 de Outubro de 2011 às 01:00
Alberto João Jardim defende alterações na Constituição da República para ultrapassar problemas
Alberto João Jardim defende alterações na Constituição da República para ultrapassar problemas FOTO: Gregorio Cunha/Lusa

Em relação à dívida da região, fixada na véspera pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, em 6328 milhões de euros, o presidente do Governo Regional da Madeira adiantou que o seu lema "é pôr as pessoas felizes e não agradar aos ministros das Finanças", garantindo que não está disponível para "jogos de dinheiro".

Segundo Jardim, Portugal está a "brincar com coisas sérias", pois "vive num paradoxo" entre o querer "resolver os seus problemas num sistema capitalista selvagem, mas ao abrigo de uma Constituição que é, ideologicamente, socialista". A solução, advogou, passa por alterar a Constituição: "Pensar que se vai resolver, com as actuais estruturas constitucionais, o problema de Portugal sem reformas é, no fundo, um pouco o que se passou com os antigos cristãos na velha Roma. Parece-me que há gente em Portugal que quer morrer pela Constituição, quer ser mártir do regime político e prefere que o País continue a ir para o fundo", declarou. O presidente do Governo Regional defendeu então uma reforma do Estado "de alto a baixo", sustentando que, "se o Estado não tiver uma visão humanizada dos cidadãos, os cidadãos não vão poder suportar este tipo de Estado por muito mais tempo". Considerando que "hoje é tudo um jogo de cifrões", Jardim acrescentou: "Não contem comigo para esses jogos de dinheiro, em que o dinheiro não é posto ao serviço dos cidadãos, em que o dinheiro não é posto pela Banca ao serviço das pequenas e médias empresas, em que o dinheiro anda a dominar o Estado."

CDU ADMITE DESOBEDIÊNCIA

O cabeça-de-lista da CDU às eleições regionais da Madeira, Edgar Silva, anunciou ontem que a coligação não aceitará uma "troika 2" para a região e admitiu apelar à desobediência civil se tal suceder. "Essa dívida não é nossa e, se necessário for, faremos um apelo à desobediência civil para que a população recuse pagar esse pacote de sacrifícios adicionais", disse.

SEGURO DUVIDA DE RELATÓRIO

O líder do PS, António José Seguro, pôs ontem em causa a "credibilidade" do relatório sobre as finanças da Madeira, já que "é baseado exclusivamente em informações prestadas pelas autoridades regionais". Sobre a conferência de imprensa do ministro das Finanças, Seguro diz que se tratou de "maquilhagem feita para proteger eleitoralmente o PSD na Madeira".

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