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Correio da Manhã

Política

Jardim: “Estou farto de ser o bombo da festa”

O presidente do Governo da Madeira, Alberto João Jardim, afirmou esta terça-feira que "está farto de ser o bombo da festa", por ser responsabilizado pelos erros cometidos na administração pública, e anunciou que vai ser mais exigente com os funcionários.
20 de Novembro de 2012 às 20:22
Jardim diz que "as leis portuguesas são uma anedota" e que "isto é um país de loucos"
Jardim diz que 'as leis portuguesas são uma anedota' e que 'isto é um país de loucos' FOTO: Sérgio Lemos

"Estou farto de ser o bombo da festa e, como estou farto de ser o bombo da festa, vou ser cada vez mais exigente com aqueles que constituem as minhas equipas, quer de governo, quer autárquicas", disse Jardim na cerimónia de inauguração de uma melaria no concelho de S. Vicente, no norte da ilha da Madeira.

"Cada vez tenho menos pachorra de ser responsabilizado às vezes por erros da administração pública que eu nem sequer sabia que existiam (...) e a culpa é sempre do Alberto João", acrescentou o líder madeirense.

Face à situação económica difícil, o governante salientou que "não pode haver lugar a demoras" e os funcionários da administração pública regional devem ter "imaginação para ultrapassar as dificuldades".

"Hoje as leis portuguesas são uma anedota completa, é por isso que digo que é preciso mudar o regime político", sustentou. Segundo Jardim, "hoje estar num governo ou numa câmara é uma autêntico exercício de risco, porque existem normas que responsabilizam as pessoas que estão nos governos e câmaras, mesmo não tendo conhecimento do que se está passando", acrescentando: "Isto é um país de loucos".

O líder insular observou que "quem está na função pública defronta-se com este problema, de ter pela frente umas leis cegas e idiotas, e há em certos sectores da justiça quem tem um gosto pela caça ao político, pelo que não se olha as necessidades da população, olha-se se a vírgula ou parágrafo foi cumprido", considerando que isso "atrapalha tudo" a actuação governativa.

"É preciso que toda a administração pública da Madeira se saiba desenrascar, não é fazer a vontade a absurdos e ilegalidades, é gostando de trabalhar" para ajudar a resolver os problemas, sublinhou.


Jardim defendeu a necessidade de uma "grande mudança no país" e rejeitou a possibilidade de "ceder e acatar as vontades de Lisboa", dizendo que "vai continuar a lutar pelos direitos do povo madeirense".

Depois da inauguração, em declarações aos jornalistas, o líder madeirense criticou os que vêm sugerindo a remodelação no executivo madeirense.

"Não vai haver remodelações que eu não faço remodelações. As remodelações não são música pedida, o Governo é uma responsabilidade pessoal do chefe de governo, e é até falta de educação", argumentou Jardim.

"Querem criticar o chefe de Governo estão todos nesse direito. Agora, entrar no domínio pessoal, na escolha pessoal, na escolha privado do chefe do governo é um abuso, isso é antidemocrático", acrescentou o líder madeirense.

A nova unidade industrial privada é um projecto familiar que está instalado no parque empresarial das Ginjas, uma melaria, no seio da floresta Laurissilva, que ocupa uma área de 91 metros quadrados que vai permitir a produção de 15 toneladas de mel por ano, a que corresponderá um volume de vendas na ordem dos 135 mil euros, e representou um investimento de 100 mil euros, comparticipados com apoio do Governo e da União Europeia.

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