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Correio da Manhã

Política
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Jerónimo de Sousa em entrevista ao CM: “Não corremos por um lugarinho no governo”

Secretário- Geral do PCP foi entrevistado por Octávio Ribeiro, diretor-geral CM e CMTV.
Diana Ramos e Octávio Ribeiro(octavioribeiro@cmjornal.pt) 17 de Setembro de 2019 às 01:30
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Secretário- Geral do PCP foi entrevistado por Octávio Ribeiro, diretor-geral CM e CMTV.
Olíder do PCP acredita que nada está fechado e que a CDU ainda está a construir um reforço dos votos nas Legislativas. Jerónimo de Sousa não afasta em absoluto integrar um governo socialista, mas frisa que tal nunca acontecerá por iniciativa do PS, mas do povo.

- Na sondagem da Intercampus, o PCP tem 8,6% dos votos. Nas últimas Legislativas 8,25%. Afinal, a geringonça não foi má para o PCP...
Jerónimo de Sousa – O resultado da CDU está em construção. Estão abertos os caminhos para o reforço. Fizemos uma pré-campanha boa, a Festa do ‘Avante!’ deu um impulso forte, portanto, a grande questão está nisto: o povo português ainda não votou. E, por isso, nesta fase da campanha vamos procurar demonstrar a importância do reforço da CDU. Nada está fechado.

- Catarina Martins declarou numa entrevista à Lusa que o único voto útil é no BE. Como vê esta declaração?
- Não gosto de fazer comentários às posições do Bloco, o Bloco lá tem as suas razões.

- Mas disputam o mesmo espaço e eleitorado...
- Demonstrámos o valor do PCP quando demos uma contribuição decisiva para ultrapassar o bloqueio institucional que estava criado em 2015. Mas a melhor contribuição que demos foi levando a que o PS, com resistência e desacordo inicial, nos acompanhasse. É fácil anunciar, o problema é depois lutar pelas propostas – e isso fizemos com grande determinação. Hoje falar de manuais escolares gratuitos, de aumentos extraordinários das reformas, do passe social, todos têm a marca da CDU. A própria vida mostra que a força da CDU, pela sua coerência e determinação, é o melhor garante para não deixar o PS de mãos livres.

- Quando diz que os outros anunciam e o PCP faz, isso é um chapéu para o BE?
- É a constatação da realidade. A nossa primeira preocupação não é, naturalmente, o Bloco. No dia 6 de outubro há como que uma encruzilhada, ou seja, saber se é possível avançar nas medidas positivas ou se voltamos para trás. E este é o grande desafio.

- A CDU está disponível opara governar com o PS?
- Isso é uma outra história.

- Porquê?
- Nós temos uma proposta com uma visão de esquerda, com uma política que resolva os problemas estruturais que afetam o País. Há défices estruturais que persistem...

- Os votos do PCP podem ou não transformar-se em pastas ministeriáveis?
- Nós iremos para o governo quando o povo o entender e não o PS. Temos uma política profundamente divergente do posicionamento do PS.

- O PCP parece estar no meio de uma ponte: recua e volta a partido de protesto ou atravessa e admite governar?
- Vamos ver a arrumação de forças após 6 de outubro. Em relação à solução política, damos uma garantia: votaremos a favor do que seja positivo para os trabalhadores e votaremos contra o que for contra esses interesses. Não nos limitaremos a ser um partido de protesto, mas não procuraremos uma pasta no governo. Temos a perspetiva de que sendo possível uma vida melhor lá estaremos nos momentos positivos e lutaremos contra recuos. Não estamos a correr para saber se temos um lugarinho no Governo. Quanto a soluções políticas, é ao pé do pano que se talha a obra.

"Vou sair como entrei"
- Que comentário lhe merece a crítica interna, nomeadamente o manifesto que o ‘Expresso’ noticiou?
Jerónimo de Sousa – O posicionamento do partido foi ratificado pelo comité central, afirmado e reafirmado no congresso. E há outro elemento que posso garantir: eu ando pelo País fora e o sentimento de militantes e de muitos independentes é valorizar e incentivar esta ideia de um partido que resolveu não perder nenhuma oportunidade que signifique melhorias. Algum descontente há de haver. Já vi este filme há uns anos.

- Mas há muitas pessoas que apontam uma docilidade sindical nestes quatro anos. Houve uma rua dócil para o PS?
- Tenho verificado que ora nos criticam por uma tal docilidade, ora nos criticam porque atacamos o PS. É muito difícil ser padre nesta freguesia.

- O que se vê a fazer quando entregar a liderança do PCP?
- Vou continuar no meu partido a procurar com convicção lutar pelo objetivo que nos anima de lutar pela construção de uma sociedade diferente. Neste momento não sou reformado, ao fim de 55 anos de descontos para a Segurança Social. E possivelmente vou sair como entrei em termos de bens materiais, o que ganhava na fábrica é o que ganho hoje.

PCP quer versão 2.0 da reforma agrária
O secretário-geral do PCP admite que "pode até ter uma carga forte tendo em conta a experiência" passada, mas Jerónimo de Sousa defende ser necessária uma versão moderna da reforma agrária na região Sul do País, em particular no Alentejo.

"Foi uma experiência que não vingou, mas numa perspetiva de progresso e desenvolvimento ninguém entenderá que ela que não exista".
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