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Correio da Manhã

Política
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Jerónimo vence barreira do preconceito

Na sede do PCP, o secretário-geral Jerónimo de Sousa declarou-se satisfeito com os resultados obtidos pela CDU nas legislativas deste domingo. A coligação PCP-PEV recuperou a posição de terceira força parlamentar, conseguindo alcançar todos os objectivos a que se propôs.
20 de Fevereiro de 2005 às 22:53
Jerónimo começou por declarar que a derrota da direita era o objectivo primeiro da CDU nestas eleições. O secretário-geral do PCP disse que o PSD obteve um dos resultados mais baixos de sempre e que o CDS-PP também baixou.
Nas contas de Jerónimo, os dois partidos perdem no seu conjunto 12% de votos e são assim castigados pelo que considerou ser a "obra de destruição" que fizeram enquanto coligados no Governo.
Quando questionado sobre se o seu carisma pessoal teria sido o facto de sucesso da CDU, Jerónimo de Sousa respondeu com saudações aos trabalhadores e aos portugueses, recusando qualquer protagonismo. Num discurso sem frases feitas, o líder comunista salientou o facto de a CDU ter garantido a terceira maior representação parlamentar, saindo reforçada destas eleições, o que Jerónimo considerou ser uma vitória sobre a "barreira do preconceito".
À hora que Jerónimo falava, a CDU tinha já eleitos 14 deputados. O líder comunista sublinhou, comparando com os resultados de 2002, a eleição de mais um deputado em Lisboa, de um segundo no Porto e a eleição do primeiro deputado comunista por Braga (Agostinho Lopes), que era também um objectivo da campanha.
ATAQUE AO PS
Jerónimo de Sousa apresentou já esta noite um discurso de oposição à maioria absoluta conquistada pelo PS (que a essa hora estava já confirmada). O secretário-geral do PCP disse que essa maioria é "o elemento menos positivo" das eleições, porque está "longe de garantir a viragem que muitos desejavam". E concluiu: "O facto de o PS se encontrar de mãos livres é um sinal inquietante".
PÓS-ELEIÇÕES
A coligação PCP/PEV conseguiu recuperar muitos dos votos perdidos nos últimos escrutínios, reforçando a sua presença no Parlamento. Questionado pelo CM, Bernardino Soares, líder parlamentar do PCP, prometeu “um trabalho mais forte, sempre empenhado nas propostas para resolver os problemas do País e capaz de estar próximo das populações, combatendo a política de direita”.
Em relação ao futuro da coligação, Bernardino Soares considerou que “muitas das pessoas que confiaram em nós não foram ainda votar na CDU”, mas recusa entrar em euforias, embora não descarte a possibilidade de a coligação poder aumentar o número de votos e de deputados em próximos actos eleitorais. “Temos um grande capital de confiança para podermos continuar no futuro”, realçou.
Pronunciando-se sobre os resultados do Bloco de Esquerda, Bernardino Soares disse não acreditar que a sua subida seja à custa da CDU, frisando que esta força política também subiu.
Face à maioria absoluta do PS, o dirigente comunista frisou que o PCP “continuará a intervir na Assembleia da República em defesa dos interesses dos trabalhadores”.
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