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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

João Ferreira acusa embaixador dos EUA de ingerência em assuntos internos após declarações polémicas

Em causa afirmação de que Portugal tem de escolher entre os "amigos e aliados" EUA e o "parceiro económico" China.

27 de setembro de 2020 às 14:34

O candidato presidencial apoiado pelo PCP, João Ferreira, acusou este domingo o embaixador norte-americano em Portugal de ingerência em assuntos internos, usando as sanções como ameaça para impor decisões, o que para o comunista merece "veemente rejeição".

"As recentes declarações proferidas pelo embaixador norte-americano em Portugal constituem um inaceitável exercício de intromissão na vida nacional, que visa condicionar as opções de Portugal quanto ao seu desenvolvimento e política externa, o que só pode merecer a mais veemente rejeição", lê-se na nota hoje divulgada pela candidatura de João Ferreira a Presidente da República.

O embaixador norte-americano em Lisboa defende que Portugal tem de escolher entre os "amigos e aliados" EUA e o "parceiro económico" China, alertando que escolher a parceria chinesa em questões como o 5G pode ter consequências em matéria de Defesa.

George Glass, embaixador dos EUA em Lisboa, em entrevista ao Expresso, publicada no sábado, admitiu consequências em matéria de segurança e Defesa para Portugal se o país escolher trabalhar com a China.

Segundo o diplomata, as consequências serão de âmbito técnico, como a atividade da NATO ou a troca de informação classificada, e não políticas, pelo menos para já.

Glass admitiu ainda sanções a empresas portuguesas com capital chinês, nomeadamente a Mota-Engil, que recentemente vendeu 30% da empresa à chinesa CCCC.

"Não se pode aceitar que um embaixador, ou outra qualquer entidade externa, procure utilizar a ameaça -- incluindo de sanções -- para impor decisões que nada têm a ver com os interesses do povo português e do país", defende João Ferreira.

O candidato presidencial do PCP afirma que "Portugal é um país soberano e deve reger-se nas relações internacionais, de acordo aliás com o consagrado na Constituição da República Portuguesa, pelos princípios da independência nacional, da não aceitação da ingerência nos assuntos internos dos Estados", indicando ainda o que entende dever ser a postura do Presidente da República nestas matérias.

"O Presidente da República tem de ser, em todos os momentos e perante quaisquer entidades externas, o garante dessa posição", defende.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ainda não fez comentários ao episódio, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, lembrou aos EUA que quem toma decisões em Portugal é o Governo.

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