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Correio da Manhã

Política
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JORGE SAMPAIO ALERTA

O Presidente da República manifestou-se ontem, Dia Mundial da Mulher, preocupado com a desigualdade de oportunidades entre géneros, a conciliação da vida pessoal e profissional e a violência, física e simbólica, que atinge as mulheres. Situações que, segundo Jorge Sampaio, justificam a continuação da celebração de um dia que muitos consideram sem sentido.
9 de Março de 2004 às 00:00
O Presidente da República distingue 22 mulheres
O Presidente da República distingue 22 mulheres FOTO: Tiago Sousa Dias
Preocupações que o Presidente revelou ontem, no Palácio da Ajuda, minutos antes de distinguir 22 mulheres com títulos honoríficos. E manifestou-as socorrendo-se de alguns dados estatísticos mais recentes.
A propósito da violência, assédio e maus tratos, por exemplo, o Presidente da República recordou as cinco mortes por mês relatadas à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), em 2003. Sampaio sublinhou assim o alerta feito há dois anos, neste mesmo dia, como fez questão de recordar.
Por outro lado, lamentou a "lentidão dos progressos realizados em campos como a educação sexual, planeamento familiar e nos debates da delicada problemática do aborto".
Também a respeito do desemprego, Sampaio usou estatísticas do ano passado. Apesar de a maioria da população activa ser constituída por homens (57,7 por cento), são as mulheres as mais atingidas pelo desemprego. Assim, em 2003, 7,3 por cento ficaram desempregadas contra 5,6 por cento dos homens.
Por fim, demonstrou com estatísticas da Administração Pública o quanto as mulheres estão arreadadas dos postos de chefia.
Por isso, defendeu o presidente, o dia deve "continuar a ser celebrado, justamente enquanto exercício de consciencialização colectiva, por forma, por um lado, a lembrarmo-nos do caminho percorrido e, por outro, assinalar os entraves e obstáculos que ainda temos de atravessar".
"É DEVER DA COMUNIDADECOMBATER VIOLÊNCIA"
O ministro da Presidência, Morais Sarmento, apontou ontem a violência doméstica como a principal causa de morte das mulheres entre os 16 e os 44 anos em Portugal, definindo o combate àquele fenómeno como "uma responsabilidade de toda a comunidade".
"A primeira causa de morte das mulheres em Portugal, não são acidentes de viação, não são quaisquer outras razões, é a violência doméstica", disse Morais Sarmento num debate na Escola Secundária de Linda-a-Velha, em Oeiras, realizado no âmbito das comemorações do Dia Internacional da Mulher.
"Morrem dezenas de mulheres todos os anos vítimas de violência doméstica. Desde as mais idosas até àquelas que são mais novas", acrescentou, referindo dados do Conselho da Europa de 2002, que revelam que a maior causa de mortes de mulheres entre os 16 e os 44 anos é a violência doméstica. "Mais do que a guerra, mais do que a fome, mais do que os acidentes de viação, mais do que qualquer outra razão, a principal causa da morte das mulheres no mundo é a violência doméstica", disse.
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