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Correio da Manhã

Política
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José Faria não formalizou pedido de protecção à PJ

José Faria, o funcionário da Câmara do Marco de Canaveses que tentou o suicídio no mês passado, não formalizou o pedido de protecção policial à Polícia Judiciária (PJ), apurou o CM junto de fontes desta polícia de investigação criminal.
27 de Setembro de 2005 às 00:00
José Faria, apesar de continuar a colaborar com a PJ, não chegou a pedir oficialmente protecção
José Faria, apesar de continuar a colaborar com a PJ, não chegou a pedir oficialmente protecção FOTO: António Rilo
O ex-testa-de-ferro do presidente da autarquia, Avelino Ferreira Torres, que colabora com a PJ num processo criminal relativo a eventuais irregularidades na gestão da autarquia e na compra de terrenos em Marco de Canaveses, foi novamente inquirido pela PJ do Porto. José Faria, que está de baixa médica, tem dado a “máxima colaboração” à PJ, apesar de não dispor de segurança policial, nem ter obtido, até agora, o estatuto de ‘arrependido’.
A última vez que José Faria esteve na Directoria do Porto foi na sexta-feira passada, prestando mais informações à secção que investiga os crimes de “colarinho branco”. Ao longo de toda a manhã, foi inquirido na PJ pelo inspector-chefe Valdemar Gomes. De acordo com fonte desta polícia de investigação criminal, o funcionário autárquico não fez depender a sua colaboração, na altura, de protecção policial e a questão não foi equacionada oficialmente. José Faria também não formalizou o pedido à PJ, que, caso tivesse sido concretizado, seria encaminhado para o Ministério Público. O advogado de Faria negou-se a fazer qualquer comentário ao CM.
Para já, a hipótese de José Faria passar a ‘arrependido’ é “ainda prematura”, garante a fonte da PJ. Mais: “só faz sentido alguém beneficiar desse estatuto [arrependido] no caso de ser arguido e teria de colaborar activamente com as investigações”, frisou. A estas condições, era preciso ainda que “o êxito dependesse exclusivamente da sua [de José Faria] prestação”. No dia em que teve alta médica, José Faria deslocou-se à PJ, denunciando o autarca Avelino Ferreira Torres por eventual enriquecimento ilegítimo na compra de terrenos.
TODAS AS DÚVIDAS SOBRE A SEGURANÇA
PJ NÃO FAZ
A escolta a quem colabora com as autoridades não é da competência da PJ, de acordo com as últimas alterações à sua lei-orgânica. Quando foi das FP-25, quem assegurava tais funções era sempre a própria segurança da PJ.
CABE À PSP
É a PSP que faz as escoltas, não só às altas entidades do Estado, como aos cidadãos que dela necessitem. O que inclui ainda quem seja ameaçado na sequência da sua colaboração com as autoridades, para descobrir crimes com gravidade.
QUEM SÃO
Os elementos que fazem as escoltas, vindos do Corpo de Segurança Pessoal da PSP, poderão ter ainda o Grupo de Operações Especiais (GOE) da PSP, mas nunca em casos como o de José Faria. Porque o caso não envolve sequer terrorismo.
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