Secretário-geral do PS afirmou que em dois anos de Governo já vai em "25 pacotes de medidas", sem que, contudo, se conheçam resultados.
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, disse esta segunda-feira em Matosinhos que o Governo tornou-se "especialista no anúncio de pacotes", uma vez que em dois anos de Governo já vai em "25 pacotes de medidas", sem que, contudo, se conheçam resultados.
"Vamos lá ver uma coisa, se governar fosse fazer anúncios, bem, nós tínhamos um dos melhores governos, certamente, do mundo, mas como governar é mais do que fazer anúncios, aí nós, de facto, estamos bastante pior", disse José Luís Carneiro, no final de uma visita à empresa de conservas de peixe Ramirez, a mais antiga do mundo em laboração.
Questionado sobre o discurso do presidente do PSD e primeiro-ministro, de Luís Montenegro, no encerramento do Congresso dos sociais-democratas, no domingo, José Luís Carneiro disse que foram apresentadas "mais oito ou nove medidas" mas, considerou, "os problemas concretos do país continuam por resolver".
"Eu gostava de ouvir falar daquilo que importa às pessoas, sobre como vai responder às necessidades de habitação no país, como vai responder às necessidades da saúde, como vai responder às necessidades do aumento dos salários e da fixação dos mais jovens e como é que, já agora, vai responder à economia do país que está a perder competitividade nos mercados internacionais", salientou.
José Luís Carneiro referiu que na semana passada foi noticiado "que Portugal perdeu competitividade em 57% dos mercados externos".
"Era isso que eu gostava de o ter ouvido falar. Eu gostava de ter ouvido o primeiro-ministro no Congresso a explicar ao país o que é que está a ser feito para valorizar a economia do mar, para valorizar os recursos da produção de energia sustentável. Ou seja, o que é que o Governo está a fazer para valorizar um setor tão importante para a nossa economia e para a criação de emprego", referiu.
Questionado sobre o discurso da ministra da Saúde no congresso, em que associou o aumento do número de imigrantes às dificuldades que se vivem no setor, nomeadamente em relação aos médicos de família, José Luís Carneiro respondeu: "O Governo está há dois anos a governar. É o Governo que tem de responder pelas dificuldades".
Carneiro afirmou que o atual Governo prometeu que "em seis meses daria respostas aos problemas do Serviço Nacional de Saúde" e considerando "estranho que ao fim de dois anos ainda estejam a dizer que a culpa é do PS".
Sobre a visita que realizou, o secretário-geral socialista realçou "a importância estratégica de investir e responder a empresários que criam postos de trabalho e que carecem de respostas do Governo".
"O problema é que isso não está incluído nas oito ou nove medidas que foram anunciadas no Congresso do PSD", disse.
Este "é um setor que no conjunto da economia do mar produz 4% da riqueza do país anualmente e que emprega 4% dos trabalhadores em Portugal. A Ramírez é uma das nossas melhores marcas em termos de indústria ligada ao mar e particularmente ao tratamento do peixe para efeitos de consumo", salientou.
A empresa está presente em todos os mercados "na Europa, América do Norte, América do Sul, África e na Ásia".
"Tem vendas de 30 milhões de euros por ano e é um bom exemplo de como um setor tradicional, que já vai para a 6ª geração, conseguiu inovar, particularmente, no setor da energia, procurando, com as energias renováveis, substituir compras energéticas, o que significa aumentar os ganhos da própria empresa", disse.
E, portanto, "uma das nossas prioridades nacionais tem de ser, primeiro, incorporar mais tecnologia nas empresas, tecnologia que particularmente contribua para diminuir a dependência energética e, em segundo lugar, a incorporação de tecnologia desejavelmente desenvolvida no país pelas nossas universidades e centros de conhecimento", acrescentou.
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