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Correio da Manhã

Política
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José Manuel Coelho quer PCP e BE como aliados

O ex-candidato presidencial José Manuel Coelho, que este sábado estará na manifestação da "geração à rasca", afirma que terá como aliados preferenciais o PCP e Bloco, colocando Cavaco e Sócrates no papel de subservientes do grande capital alemão.
12 de Março de 2011 às 13:53
José Manuel Coelho acredita que o seu novo partido poderá gerar em Portugal o mesmo fenómeno que o PT brasileiro de Lula
José Manuel Coelho acredita que o seu novo partido poderá gerar em Portugal o mesmo fenómeno que o PT brasileiro de Lula FOTO: José Manuel Rodrigues

Antigo militante do PCP, ex-candidato pela UDP e até há pouco tempo membro do PND (Partido da Nova Democracia, fundado por Manuel Monteiro), José Manuel Coelho, que arrancou uma votação na ordem dos quatro por cento nas últimas eleições presidenciais, anunciou agora a sua adesão ao Partido Trabalhista Português (PTP).  

José Manuel Coelho acredita que o seu novo partido poderá gerar em Portugal o mesmo fenómeno que o PT brasileiro de Lula da Silva alcançou no Brasil.  

"O PCP é o grande partido da classe operária e do socialismo, um dos grandes obreiros da liberdade que temos, mas este partido está a sofrer com os erros e crimes que ditadores cometeram em nome do socialismo. É portanto preciso outras forças políticas sem o rótulo do PCP, sem a foice e o martelo, que não assustem as pessoas e que captem o voto dos descontentes", justifica. 

Como aliados preferenciais no panorama político nacional, o deputado regional madeirense diz terá "o PCP e o Bloco de Esquerda, porque defendem o socialismo e os trabalhadores de forma consequente".  

Em relação à actual situação política e institucional do País, José Manuel Coelho rejeita que haja um diferendo entre o primeiro-ministro e  o Presidente da República.  

"Cavaco Silva e José Sócrates defendem a mesma política do neoliberalismo. Tanto o Presidente da República, como o primeiro-ministro, são fiéis alunos da [chanceler germânica] Ângela Merkel, são subservientes ao grande capital alemão, que domina a União Europeia. Esse grande capital impôs-nos quotas de produção, o fecho de estruturas produtivas, deram-nos um chouriço e levaram  um porco", sustenta.

“O MEU SONHO É CONTINUAR A REVOLUÇÃO” 

Sobre os motivos da sua participação na manifestação deste sábado da "Geração  à rasca", o ex-candidato presidencial acredita que daqui pode ser "reatada a revolução de abril, que foi interrompida pelos agrários, banqueiros e grandes senhores do dinheiro".   

"O meu sonho é continuar a revolução, mas a revolução só se dá quando há condições para isso e não quando os revolucionários querem. Quem sabe se hoje não será um grande ponto de partida para uma grande revolução em Portugal", admite José Manuel Coelho.  

No actual quadro político de "democracia burguesa", José Manuel Coelho acredita que continuará a recolher muitos votos de protestos em futuros actos eleitorais.  

"As pessoas não olham para mim como um artista de teatro humorístico, mas como uma pessoa que interpreta os seus anseios - no fundo aquilo que sentem mas não têm coragem de dizer. O povo votou em mim não foi só por achar graça, mas porque se revê nas minhas palavras e mensagem", diz.  

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