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Correio da Manhã

Política
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Juntos Pelo Povo: Jurista junta povo contra a corrupção

Cabeça de lista pelo Porto diz que não há independência entre o poder executivo e judicial.
João Vaz 2 de Outubro de 2019 às 08:35
Leonor Lêdo da Fonseca  na Feira de Espinho
Leonor Lêdo da Fonseca na Feira de Espinho FOTO: Ricardo Júnior

"Estamos aqui para lutar contra a corrupção. Na Maia, conseguimos a perda de mandato do presidente da câmara por uso indevido de dinheiros públicos. O que queremos é replicar a situação por todo o País, onde haja casos de corrupção." Com frases curtas, Leonor Lêdo da Fonseca, cabeça de lista do Juntos Pelo Povo (JPP) no Porto, avança com entusiasmo por entre as bancas da concorrida Feira de Espinho, numa destas manhãs com mais névoa que sol. É muito conhecida. Nas Autárquicas de 2017, liderou o movimento ‘Pela Minha Gente’, que se tornou a 3ª força política do concelho e ficou a 60 votos de entrar na vereação.

O estilo de Leonor tem alma de ‘passionaria’. Loura, de rabo de cavalo e vestida em tons de verde, que é a cor do partido, acompanha-se de apoiantes equipados com o mesmo preceito e puxa por todos: "No dia 6, vota JPP, um partido de pessoas para pessoas", clama sem necessidade de megafon, para logo a seguir baixar os decibéis e saudar uma conhecida: "Olá, minha querida, como estás?" As queixas aparecem de todo o lado. Outra senhora junta-se à conversa: "A reforma e a saúde, é tudo uma miséria. O meu pai esteve no hospital e ficou com o rabo todo em ferida."

O Juntos Pelo Povo tem a sua maior força na Madeira, onde conquistou três lugares na Assembleia Regional, a par do CDS e muito acima da CDU e do BE. Nas Legislativas, o JPP não apresenta lista em Lisboa, mas conta com candidatos cheios de esperança no Porto, devido ao trabalho das associações e à notoriedade ganha no caso da Maia, onde o presidente da câmara já foi condenado em segunda instância. "Gostava de ir a sufrágio com o Pela Minha Gente, mas a lei eleitoral só permite listas de partidos", observa Leonor que interroga: "Porque será? Os movimentos de cidadãos são assim tão assustadores?"

Leonor da Fonseca analisa a situação portuguesa, sob a óptica da sua dupla condição de jurista (advogada) e política: "O sistema de Justiça não está preparado para um combate eficaz à corrupção. Não existe independência entre o poder executivo e o poder judicial. Uma sociedade que não aposta numa Justiça célere e eficaz acaba refém da corrupção". Nada lhe tira, porém, a vontade de ajudar a dar volta a isto: "Sou uma mulher inconformada, uma mulher de causas, uma mulher de lutas".

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