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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Leitão Amaro defende que política de imigração tem de ser "tão firme quanto moderada"

Ministro da Presidência lamenta "coligação negativa" do PS e do Chega que não permitiu criar uma polícia de fronteiras.

10 de março de 2025 às 12:50

O ministro da Presidência defendeu esta segunda-feira que, para evitar extremos, a política de imigração tem de ser "tão firme quanto moderada" e lamentou a "coligação negativa" do PS e do Chega que não permitiu criar uma polícia de fronteiras.

"Acreditamos que, se conseguirmos implementar uma política de imigração regulada e humanista podemos evitar que Portugal caia, como outros países caíram, nos extremos em que a raiva ao que é diferente cresce, a política fica partida e o debate público fica cheio de ressentimento", disse o governante.

Numa intervenção por videoconferência na iniciativa "Imigração: O desafio da proximidade" que hoje decorre em Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, António Leitão Amaro resumiu: "Precisamos de uma política tão firme quanto moderada".

Antes, o ministro da Presidência enumerou as políticas levadas a cabo pelo atual Governo, destacando quatro aspetos: regulação dos canais de entrada, reabilitação da resposta do Estado, reforço da fiscalização e melhoria da integração dos que acolhemos.

"Tínhamos a proposta de criar uma polícia de fronteiras na PSP, mas infelizmente o partido à nossa esquerda, o PS, e o partido à nossa direita, o Chega, impediram a criação dessa autoridade" disse António Leitão Amaro, acusando os partidos liderados por Pedro Nuno Santos e André Ventura de terem feito uma "coligação negativa".

Considerando que "há poucos temas que despertam tantas paixões e tantas divisões como o tema da imigração", o governante apontou que "Portugal é dos países da Europa e do Mundo que maior choque, impacto e diferença sentiu com a imigração", traçando uma diferença entre o período antes de 2018/2019 e a atualidade.

"Portugal tinha, até 2019, uma história de imigração relativamente inalterada com a entrada de pessoas de países de língua oficial portuguesa, uma cultura muito próxima, e, a espaços, a entrada de imigrantes do Leste da Europa. A partir de 2019 a realidade transformou-se muito com uma mudança de geografias de origem muito grande. Isto em si, independentemente de qualquer juízo, é um desafio", considerou.

E continuou atirando mais um reparo ao partido que antecedeu o executivo de Luís Montenegro no poder: "Esse desafio é muito maior (...) porque o Estado, desmantelou a sua grande agência de imigração, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), de forma muito rápida e impreparada e não organizou os seus serviços públicos e as estruturas sociais de forma a fazer um acolhimento com humanismo".

António Leitão Amaro reconheceu que estas mudanças podem causar "pressão e até sentimentos de intranquilidade na população residente", referindo que o Governo tem de evitar os extremos, quer o de pensar que a situação se autorregula e não há nada a fazer, quer o discurso de ódio da rejeição e da negação.

O governante lembrou que "as pessoas que vêm de fora são pessoas a fugir de situações desesperantes, fomes, guerras, perseguições políticas, ou migrantes que procuram melhorar a sua vida social e economicamente", sem esquecer que "Portugal precisa, mesmo na perspetiva económica e utilitária, da imigração".

Sem esquecer o papel das autarquias e das associações de imigrantes, o ministro da Presidência destacou o desafio que as escolas têm, escolas que há 7 anos tinham 55.000 alunos estrangeiros e agora contam com 170.000, disse.

"A escola é um dos melhores instrumentos de boa integração para quem vem de fora", considerou.

O ministro da Presidência anunciou que o Governo está a preparar, em parceria com empresas, medidas para agilizar a integração de migrantes.

Em causa está o pacote de medidas ao qual chamou "obtenção acelerada de vistos", programa iniciado com negociações com as confederações patronais, disse o ministro para quem a migração económica no país "deve ser migração laboral" e "deve vir com responsabilidade dos empregadores".

Considerando que quem chega, tem de garantir "o respeito dos direitos humanos e dos valores constitucionais", bem como ter "um compromisso de integração na sociedade portuguesa", leitão Amaro disse que "os valores devem ser respeitados por todos".

A conferência organizada pela Rádio Renascença em parceria com a Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia ficou marcada, quando decorria o primeiro painel da manhã "Imigração: fonte de riquezas para Portugal?", por uma pequena altercação quando uma pessoa que assistia interpelou a mesa de forma algo exaltada e foi escoltado à saída por polícias à paisana.

O momento foi gravado por um grupo de pessoas, alegadamente, ligado ao grupo ultranacionalista Reconquista.

A agência Lusa tentou perceber se o grupo foi identificado, mas fonte da PSP remeteu esclarecimentos para mais tarde.

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