José Luís Carneiro sublinhou que "só mesmo a tentativa de branqueamento" no acesso ao ensino superior, justifica que Montenegro se tenha substituído "ao ministro da Educação para afirmar uma realidade que não existe na vida das pessoas".
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, acusou este domingo o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de branquear "o caos nos exames" nacionais do ensino secundário e de ter "medo do povo português", aconselhando-o a ouvir o país.
"Aquilo que [Luís Montenegro] acabou de fazer trata-se da maior operação de branqueamento do que se passou com o caos nos exames deste Verão e na preparação do acesso ao ensino superior por parte dos alunos", afirmou.
O líder socialista reagia desta forma ao discurso do primeiro-ministro, Luís Montenegro, este domingo, no encerramento da 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, no distrito de Portalegre.
Durante uma visita à Feira de Agosto, em Grândola, no distrito de Setúbal, José Luís Carneiro sublinhou que "só mesmo a tentativa de branqueamento" no acesso ao ensino superior, justifica que Montenegro se tenha substituído "ao ministro da Educação para afirmar uma realidade que não existe na vida das pessoas".
"Entre o número de candidatos que concorreram e que entraram, a percentagem diminuiu em relação aos anos anteriores", quis esclarecer o líder socialista, em declarações aos jornalistas.
Já sobre o Centro de Formação Profissional, José Luís Carneiro afirmou que Montenegro "deveria ter dito que encontrou financiamento", assim como um programa de criação de centros tecnológicos para o ensino profissional "todo preparado pelo PS quando estava em funções governativas".
"Queixou-se muito das gavetas que encontrou, [mas] foi pena que não se tivesse lembrado" que nessas gavetas encontrou "mais de 3 mil e 500 milhões de euros que permitiram que, nestes mais de dois anos, tenha vindo a descapitalizar o superávite que existia no Estado e a responder a algumas das prioridades", criticou.
E, acrescentou, que ainda assim, o primeiro-ministro "não resolveu os problemas do custo de vida e não deu respostas adequadas ao aumento dos custos de vida".
Na sua declaração inicial aos jornalistas, José Luís Carneiro acusou Montenegro de ter "medo do povo português".
Depois da rentrée do PSD, "hoje voltámos a vê-lo passado algum tempo de novo também num local muito protegido. O primeiro-ministro devia ouvir o país porque se ouvisse o país não poderia fazer um discurso daqueles como acabou de fazer", aconselhou.
Questionado sobre as afirmações de Montenegro de que os governos do PS não quiseram resolver os problemas da educação, o líder socialista acusou o primeiro-ministro de estar "desfasado da realidade", dando os exemplos dos instrumentos de apoios aos professores e o descongelamento das carreiras e dos salários.
"Devia ter a humildade para lembrar quem esteve no planeamento e em tantas opções que foram este domingo anunciadas como sendo suas. Foi quase como uma atitude do cuco que é aquele que, em regra, aproveita o ninho feito pelos outros", afirmou.
Também questionado sobre a ameaça da moção de censura do Chega, José Luís Carneiro voltou a não querer responder diretamente, lembrando, por outro lado, que aguarda que o Governo responda às questões do PS em matéria de educação até ao início de setembro.
"Hoje há alunos que ainda não conhecem a sua situação de candidatura ao ensino superior e é muito importante que o ministro da Educação responda até ao princípio de setembro às perguntas que o PS formulou porque, caso contrário, avançaremos com uma comissão de inquérito" lembrou.
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