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Correio da Manhã

Política
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LÍDER DO PSD/PORTO ELOGIA PAPEL DE ÁLVARO CUNHAL

Álvaro Cunhal foi "essencial para a afirmação da democracia em Portugal". A ideia foi defendida ontem pelo líder da distrital social-democrata do Porto.
11 de Novembro de 2002 às 00:07
Em entrevista à Antena 1, Marco António Costa considera que, apesar de não “comungar de nenhuma das suas opções políticas”, Cunhal é “um referencial da democracia portuguesa”. Mais: “O PCP tem um papel muito importante a desempenhar".

Ao longo de uma hora de conversa no programa “Nós e os outros”, o líder do PSD/Porto descreveu Cunhal (que ontem completou 89 anos) como uma figura por quem tem muito respeito e que lutou "por princípios e convicções".

Marco António também não esquece os ataques do PS e a relação de pressão exercida sobre o Presidente da República. Em seu entender os socialistas estão a fazer pressão sobre Sampaio para que este faça o que o PS não consegue fazer. E questionado pelo CM sobre a hipótese de Belém estar a ser instrumentalizado pelo PS, Marco António responde: “Eu não acredito em bruxas, mas que as há, há”.

O líder do PSD/Porto faz também questão de analisar a actuação do Governo. Elege Durão Barroso como figura de destaque na vida política actual e considera que o primeiro-ministro conseguiu escapar às “questiúnculas políticas”, mantendo-se “intocável” nos ataques a elementos do Executivo. Porém adverte os governantes de Lisboa para a necessidade de se avançar com um novo discurso político já em Janeiro de 2003, deixando de lado o registo “hiper-realista” usado “propositadamente” nos primeiros seis meses de governação”.

“Os portugueses tinham de perceber a situação em que se encontrava o País”. E só um discurso “hiper-realista” poderia ‘obrigar’ o País a reconhecer o estado das Finanças Públicas. Mas a realidade não pode ser dominada por um sentimento “depres- sivo colectivo”, logo, o PSD terá de virar a página e definir um discurso que garante a confiança dos portugueses no País e no Governo. E conclui que se manterá atento ao processo do TGV, alertando que está preocupado com a situação, e lembra que o Norte não pode ser esquecido, elogiando, mais uma vez, a postura de Durão Barroso.

O perfil de um “indivíduo frontal”

Marco António Costa, 35 anos, formado em Direito pela Universidade Católica do Porto, é deputado e líder da poderosa distrital do Porto do PSD e acumula o cargo de vereador da Câmara Municipal de Valongo.

Eleito no passado dia 25 de Maio por uma larga maioria com 4250 votos (num universo de 4522 votantes), o actual líder do PSD/Porto sucedeu ao polémico Luís Filipe Menezes. Antes ocupara o cargo de vice-presidente do PSD/Porto. Na ocasião, assumiu-se como “um indivíduo frontal” que se identifica com aqueles que “passeando na corte do poder, resolvem os problemas matando o mensageiro quando a mensagem é má”. Garante que não se deseja ver alinhado com quem quer que seja, mas a sua canditatura à distrital reuniu os apoios de Valentim Loureiro, Rui Rio, e do próprio Menezes.

No conclave ‘laranja’ destacou-se ao lembrar o peso político do Norte e chegou a classificar a sua distrital como a “alavanca da vida partidária”. De facto, não terá sido por acaso que o PSD fez a sua rentrée no distrito de Marco António. Mais recentemente ‘abraçou’ outra luta, a do traçado do comboio de alta velocidade.

No seu currículo constam vários cargos de direcção nas estruturas locais da JSD, em Valongo e do Porto, tendo assumido desde 1991 várias direcções de campanha eleitoral no distrito, pela JSD e pelo PSD/Porto, quer em eleições legislativas, quer para as presidênciais. É membro do Conselho Nacional do PSD.
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