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Correio da Manhã

Política
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LÍDERES DIVIDIDOS

Depois de não terem conseguido chegar a acordo sobre a futura Constituição da União Europeia, os líderes europeus não conseguem agora chegar a um consenso sobre a data para o relançamento das conversações e muito menos sobre quando deverão essas negociações estar terminadas.
19 de Dezembro de 2003 às 00:00
Em entrevista ao jornal ‘Financial Times’, Brian Cowen, ministro dos Negócios Estrangeiros da Irlanda – que no próximo semestre assegura a presidência da UE – considerou que há entre os 25 um “optimismo cauteloso” de que se possa alcançar um acordo na primeira metade de 2004. Contudo, Cowen alertou para o facto de o primeiro-ministro italiano e actual presidente da UE, Sílvio Berlusconi, não ter colocado por escrito nenhum dos acordos verbais que terá conseguido em conversas bilaterais com os outros líderes europeus durante a última cimeira.
Por seu lado, e numa entrevista ao diário ‘Libération’, o chefe da diplomacia francesa, Dominique de Villepin, também se mostrou optimista, mas de que o acordo sobre a futura Constituição seja possível antes do fim do próximo ano. “Uma coisa é certa, não temos o direito de falhar. Queremos ter uma Constituição para todos os Estados europeus antes do fim de 2004”, declarou Villepin.
Desde o fim da cimeira de Bruxelas – no passado final de semana – vários têm sido os líderes europeus a manifestarem as suas dúvidas sobre a possibilidade de se alcançar um acordo durante a presidência irlandesa. Essa falta de acordo está mesmo a relançar a ideia de que a União Europeia caminhe a várias velocidades, para que os países que querem menos integração não impeçam os restantes de avançar.
UNIÃO DE FORÇAS
A Espanha e a Polónia – dois dos Estados responsáveis pelo fracasso da última cimeira europeia – vão concertar posições para a próxima ronda de conversações sobre o futuro da União Europeia. Os dois países começarão, já em Janeiro, negociações bilaterais, nas quais além dos seus direitos de voto no Conselho europeu, irão concertar posições para o debate da próxima perspectiva económica europeia para o período de 2007 a 2013.
Esta junção de forças surge depois de Estados, como a Alemanha, terem sugerido que Madrid e Varsóvia sofressem retaliações económicas pela sua posição na Cimeira de Bruxelas.
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