Partido inaugurou hoje em Lisboa, o único cartaz de grandes dimensões que vai colocar nas ruas.
A cabeça de lista do Livre pelo círculo de Lisboa, Joacine Katar Moreira, defendeu esta segunda-feira maior diversidade na Assembleia da República, a par do aumento do salário mínimo para os 900 euros.
"É hora de nós termos uma Assembleia da República que seja a imagem das nossas sociedades, e uma imagem das nossas sociedades é uma Assembleia da República multiétnica, multicultural, multirreligiosa e uma assembleia em que haja uma igualdade entre o número de homens e o número de mulheres", disse a candidata à Lusa.
Notando que "esta é uma área onde já houve alguns desenvolvimentos", Joacine Katar Moreira considerou que "mesmo estes desenvolvimentos continuam a favorecer as elites".
"Não há nenhuma mulher das minorias étnico-raciais na assembleia", assinalou, apontando que "é hora" de isto começar a importunar a sociedade.
Para mudar esta questão, a cabeça de lista do Livre por Lisboa advogou ser necessário um investimento grande na área da educação, passando pelo combate ao insucesso e abandono escolares, algo que, "especialmente, vai afetando as minorias étnico-raciais".
O partido inaugurou hoje em Lisboa, na rotunda do Marquês de Pombal, o único cartaz de grandes dimensões que vai colocar nas ruas durante a campanha para as eleições legislativas de 06 de outubro.
O cartaz, que tem uma fotografia da "única mulher negra cabeça de lista numas eleições legislativas" e as palavras "Livre é igualdade", foi inaugurado na presença de cerca de duas dezenas de apoiantes do partido, num momento com discursos e música.
Esta opção é justificada com o orçamento de "10 mil euros" com o qual o partido conta para fazer a campanha eleitoral, mas também pelo facto de o Livre considerar ser "absolutamente excessivo" e "nem sequer ideal para o ambiente".
"E se hoje em dia a maior parte dos partidos autodenomina-se pelo combate às alterações climáticas, a ecologia e por aí fora, deviam então iniciar imediatamente por reduzir a poluição visual e o enorme investimento financeiro que é espalharem de norte a sul do país dezenas, centenas de 'outdoors'", sublinhou.
Em declarações à agência Lusa, Joacine Katar Moreira vincou que "esta não é uma candidatura das minorias étnico-raciais" e que o objetivo não é ser a "representante da comunidade afrodescendente em Portugal".
"O meu objetivo é levar os meus conhecimentos de historiadora, de ativista feminista, de ativista antirracista, de académica, entre outros, para que isto esteja ao serviço de um país mais igualitário e com menos assimetrias financeiras", afirmou, acrescentando que defendendo as minorias estará também a "defender as maiorias".
Nesta campanha eleitoral, que arranca oficialmente em 22 de setembro, o Livre vai defender igualmente o aumento do salário mínimo para 900 euros.
"No Livre, nós consideramos que um ordenado de 900 euros ao mês é um ordenado que corresponde a um patamar em relação ao qual os cidadãos têm hipótese de sair de um patamar de unicamente sobrevivência", explicou a primeira candidata pelo círculo da capital.
Na ótica da historiadora e ativista, "um Estado que mantenha os seus cidadãos no limiar de unicamente sobrevivência não é um Estado de um país desenvolvido" e, por isso, "é fundamental que qualquer política para a igualdade, qualquer política contra a pobreza" deve "exigir um aumento do ordenado mínimo".
Também presente na iniciativa, o fundador do Livre Rui Tavares considerou que este é "um cartaz único para a história da democracia portuguesa", e que "no panorama atual é histórico ter a única candidata mulher, negra, ativista feminista e antirracismo".
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