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Correio da Manhã

Política
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LIXO PÕE AUTARCAS EM GUERRA

A Associação de Municípios do Vale do Ave (AMAVE) está envolvida numa autêntica guerra política, agravada pelo diferendo em torno da localização de dois novos aterros sanitários.
27 de Março de 2003 às 00:18
Armindo Costa, PSD, está sob o fogo cruzado de socialistas do Ave
Armindo Costa, PSD, está sob o fogo cruzado de socialistas do Ave FOTO: Direitos Reservados
A Câmara de Vila Nova de Famalicão (de maioria social-democrata) recusa receber mais uma estrutura de tratamento de lixos no seu concelho, o que leva as autarquias vizinhas (maioritariamente socialistas) a admitirem vedar as estações de tratamento aos resíduos famalicenses.
O presidente da Câmara de Famalicão, Armindo Costa, reconhece a existência do acordo feito pelo seu antecessor para acolher um aterro, mas realça que a 'Amave' tem agora dois novos municípios – Vizela e Trofa –, para sustentar que a solidariedade intermunicipal no tratamento dos lixos deve passar primeiro por estes concelhos, uma vez que Famalicão suporta já a Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos.
Contudo, os restantes autarcas da 'Amave' – que integra também os concelhos de Guimarães, Santo Tirso, Fafe, Vieira do Minho e Póvoa de Lanhoso – não aceitam a argumentação e ameaçam com medidas drásticas. Os socialistas admitem propor na próxima reunião da associação a proibição da entrada de lixo de Famalicão nos aterros de Guimarães e Santo Tirso – cujos presidentes de Câmara, eleitos pelo PS, têm sido os mais críticos da postura famalicense.
Armindo Costa assegura, no entanto, que não há legitimidade legal para lhe fecharem os aterros, que "são propriedade intermunicipal e foram construídos com dinheiros comunitários". Neste braço de ferro, o autarca ‘laranja’ tenta ganhar tempo com a constituição de uma comissão de análise da Assembleia Municipal, que tem 90 dias para se pronunciar sobre a localização do eventual aterro – que conta já com as oposições das juntas abrangidas: Pousada de Saramagos, Requião e Vermoim.
O socialista presidente da 'Amave' e da Câmara de Fafe, José Ribeiro, reafirma a disponibilidade do seu concelho para receber um dos dois aterros previstos e lamenta a crise criada pela recusa de Famalicão.
Constituída em 1991, a 'Amave' assumiu ao longo dos anos uma forte intervenção na região e unidade interna. Os problemas começaram logo após as últimas eleições autárquicas, quando os restantes municípios decidiram travar o sistema rotativo da presidência da associação, por forma a evitar que o novo presidente da Câmara de Famalicão assumisse o cargo. A rotatividade mantém-se, mas apenas entre autarcas socialistas.
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