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Correio da Manhã

Política
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Louçã acusa Governo de “pura fantasia”

O coordenador do Bloco de Esquerda afirmou esta segunda-feira que a análise do Governo à avaliação da troika é "pura fantasia" e que o pedido de empréstimo de três bancos será para "pagar juros extorsionários" e "não para apoiar a economia".
4 de Junho de 2012 às 20:09
Francisco Louçã diz que caminho apontado pela troika é "para uma enorme tragédia"
Francisco Louçã diz que caminho apontado pela troika é 'para uma enorme tragédia' FOTO: Hugo Delgado/Lusa

Em Braga para "prestar contas do trabalho feito", Francisco Louçã exigiu ainda "solidariedade activa" de toda a Europa contra a "especulação financeira". Segundo o líder bloquista, "o Governo teve hoje que reconhecer que vai aumentar imenso a dívida portuguesa" pelo que, considerou, a análise feita pelo Governo à avaliação da troika "é pura fantasia".

"É a quarta vez que Portugal é chumbado porque durante estes quatro exames há mais 200 mil desempregados. Se se chama a isto aprovar eu bem gostaria de perceber com que classificação se medem", afirmou.

Para Francisco Louçã, o que se sabe do exame da troika é que o Governo "que é aprovado chumba o país, chumba o emprego e chumba a economia" e que o caminho apontado pela troika é o caminho "para uma enorme tragédia".

Louçã apontou que o documento hoje apresentado pela troika tem como "solução" para o desemprego "facilitar ainda mais os despedimentos" o que significa, segundo o BE, "mais desemprego, mais dívida e que o país vai ficar cada vez pior".

O BCP, BPI e Caixa anunciaram hoje que irão pedir empréstimos ao Estado no valor de 6.600 milhões de euros, dos quais 5.000 milhões virão do programa de ajuda externa a Portugal.


Os empréstimos hoje comunicados ao mercado irão permitir a estas instituições financeiras cumprir os rácios de solvabilidade 'core tier 1' de 9 por cento até final do mês, uma exigência da Autoridade Bancária Europeia (EBA em inglês) e do Banco de Portugal.

Em comunicado, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, referiu que, após estas operações, "cada um dos bancos irá ultrapassar os requisitos de capital exigidos pelo EBA", acrescentando que as instituições financeiras participantes "irão estar entre os bancos mais bem capitalizados da Europa".

No entanto, segundo Louçã, este empréstimo servirá para "pagar juros extorsionários". "Ainda agora em Portugal soubemos que a troika ainda vai emprestar quatro mil milhões a um Governo que vai dar seis biliões para um sistema financeiro, não para garantir que as pessoas sejam protegidas e não para garantir o apoio à economia", disse.

O líder bloquista lembrou que "os bancos tiveram acesso a empréstimos a 3 anos desde Dezembro do ano passado a um por cento, ou seja gratuitamente, e não apoiaram a economia, não aumentaram o crédito".

A "solução para o país", afirmou Louçã, "é deixar de perder o dinheiro dos salários, das pensões, dos impostos", exigindo por isso "solidariedade activa de toda a Europa contra a especulação financeira".

Francisco Louçã terminou pedindo que "devolvam o país e a democracia" a quem de direito. "É nestes momentos que temos que nos fazer grandes na luta contra o abuso financeiro, contra a extorsão, na solidariedade, grandes na justiça", defendeu.

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