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Correio da Manhã

Política
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Louçã quer "esquerda grande" anti-capitalista

O coordenador da comissão política do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, encerrou este domingo a VI Convenção Nacional do BE a pedir a constituição de "uma grande esquerda" para garantir políticas anti-capitalistas, socialistas.
8 de Fevereiro de 2009 às 19:04
Francisco Louçã
Francisco Louçã FOTO: José Sena Goulão / Lusa

Numa intervenção em que apontou como meta o crescimento do Bloco de Esquerda em todas as eleições de 2009, Louçã defendeu:' O Bloco de Esquerda quer uma esquerda grande capaz para combater os inimigos e a exploração. Tem que ser anti-capitalista e só pode ser socialista. Grande  pela representação dos mais explorados, dos trabalhadores'.

Para Louçã, 'o poder económico é a razão da crise' e a hora 'é de trabalho'. Por isso, no 'longo caminho' que há a percorrer para o BE, ficou a garantia de um programa de Governo para as eleições Legislativas, o pedido de 'cartão vermelho' nas Europeias contra o PS e o reforço autárquico com a possibilidade de apoiar movimentos de cidadãos.

Uma hora antes, Pedro Soares, coordenador autárquico de BE, já tinha assegurado uma candidatura alternativa para a Câmara de Lisboa, sem acordo algum com os socialistas. Helena Roseta também não fará parte, em princípio, dos planos bloquistas, ainda que o seu nome não tenha sido referido uma única vez na Convenção.

Já quanto às eleições presidenciais e à polémica sobre as condições de apoio a uma candidatura de Manuel Alegre, Louçã avisou: a Convenção não aprovou ou discutiu nomes. Ou seja, ficou-se pelos princípios, porque o Bloco de Esquerda apoiará um candidato que apresente uma visão para o País que dê resposta a crise económica, à crise social e seja contra o novo Código do Trabalho e as desigualdades.

Em nenhum momento, Louçã pronunciou o nome de Manuel Alegre, isto depois de ter afirmado, sábado, que não pretendia condicionar candidatos. Preferia, antes, uma 'vaga de fundo'.

'Não nos falem de cenários porque nós é que escolhemos os cenários', declarou Louçã, depois de, na Convenção, terem sido várias as vozes a colocar o afastamento de Alegre do PS  como condição para um apoio a uma candidatura presidencial.

Louçã dedicou ainda boa parte do seu discurso no ataque 'à ganância' e à urgência de medidas para crise.  Impostos sobre as grandes fortunas para financiar a segurança social, caminhar para as 35 horas semanais de trabalho, aumentar o Salário Mínimo Nacional e as pensões, foram algumas das medidas enunciadas. Prometeu ainda que o BE fará uma forte contestação aos 450 milhões de euros para o BPP: 'Nem um cêntimo do contribuintes para proteger fortunas', declarou, atacando também a nacionalização do BPN. 'A elite do PSD arrombou um banco, o Governo PS paga a factura', sintetizou.

ROUBAR VOTOS AO PS

Numa convenção em que a palavra repetida em muitos discursos foi a da "convergência", o líder parlamentar, Luís Fazenda, avisou que o BE não é "tábua de salvação" de ninguém e é na defesa dos direitos sociais e dos serviços públicos que os bloquistas querem roubar votos ao PS. Ou seja, o BE quer tirar a maioria absoluta aos socialistas.

A par da convergência, o "socialismo" foi outra das palavras mais proferidas numa convenção em que a equipa de Francisco Louçã ganhou em toda em linha nas votações internas.

 

Visionou-se um documentário sobre os dez anos da fundação do Bloco e os 600 delegados ouviram intervenções de convidados estrangeiros. Entre eles estava Yiannis Bournous, do Synaspismos (Grécia), que recordou os protestos gregos do passado mês de Dezembro.

 

Por fim, após dois dias de debate e já a convenção tinha encerrado os trabalhos, foi feito o pedido para arrumar as cadeiras. Sem a organização milimétrica do PCP, os bloquistas procuraram, um a um, arrumar a sua cadeira. Não se ouviu o hino nacional, prática comum nos congressos dos outros partidos, mas a "Internacional", numa altura em que já não estavam todos os delegados na sala da VI Convenção do BE, no complexo municipal do Casal Vistoso.

 

À saída do complexo municipal, as bancas de vendas ainda estavam compostas com obras sobre a ideologia de Marx e Engels, Trotsky e, claro, o combate ao capitalismo, segundo o Bloco de Esquerda. T-shirsts com slogans sobre a legalização das drogas leves também estiveram à venda.

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