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Correio da Manhã

Política
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Maioria não concorda com novo aeroporto de Lisboa

A maioria dos portugueses não concorda com a construção de um novo aeroporto para Lisboa, mas, a ter de se construir, prefere que seja erguido na Margem Sul. Uma posição transversal aos votantes de todos os partidos políticos.
14 de Junho de 2007 às 00:00
Mário Lino mandou estudar  Alcochete
Mário Lino mandou estudar Alcochete FOTO: André Kosters/Lusa
De acordo com uma sondagem da Aximage para o Correio da Manhã, 49,6 por cento dos portugueses acha que não é necessário um novo aeroporto, contra 40,1 que defende a sua construção. Quanto à melhor localização, 36,7 por cento aponta a Margem Sul enquanto 23,5 considera a Ota uma boa solução.
A Margem Sul surge destacada antes mesmo de o Governo ter anunciado que iria estudar a viabilidade de Alcochete, já que esta sondagem da Aximage foi efectuada no início deste mês.
A percentagem de portugueses que recusa a construção de um novo aeroporto subiu face a 2000, quando a questão dividia praticamente a meio as opiniões: 47 por cento dizia-se a favor e 46 contra.
Posições que, de resto, não variam com a preferência política, com socialistas, sociais-democratas e comunistas unânimes na rejeição do projecto. Apenas os votantes centristas das legislativas de 2005 se manifestam abertamente a favor da construção, com 70,6 por cento a considerar que Lisboa precisa de um aeroporto, contra 29,4 a dizer que não.
A maioria rejeita a construção não só porque a Portela é suficiente mas também porque tem um custo muito elevado. Com efeito, 39,7 por cento considera que se trata de um projecto com um “custo muito grande”, enquanto 39,5 refere que “o que há serve bem”. Mais de 10 por cento acha que há outras prioridades e 3,7 acredita que há alternativas mais baratas.
Posições que variam com as preferências políticas dos votantes das últimas eleições legislativas: os que votaram PS inclinam-se mais para o facto de a Portela servir bem (50,7 por cento), enquanto os do PSD afirmam que o custo é muito elevado (39,7 por cento).
A preferência por uma localização na Margem Sul é transversal aos partidos políticos. Todos, sem excepção, a defendem.
ELEITORADO DO PS ESTÁ DESILUDIDO
O eleitorado do PS, à semelhança dos portugueses em geral, está desiludido com o Governo e o primeiro-ministro obteve mesmo a sua pior nota: 8,6. Mesmo assim, apesar do quadro negativo no lado socialista, o PSD não consegue travar a queda nas intenções de voto.
De acordo com uma sondagem CM/Aximage, 42 por cento dos eleitores que votaram no PS nas últimas legislativas considera que o Executivo socialista está a governar “pior do que esperava”, enquanto apenas 18,1 diz que superou as suas expectativas e 35,2 afirma que está “igual ao que esperava”. O eleitorado do PS acompanha assim a desilusão geral, já que 49,3 por cento dos inquiridos se afirmou insatisfeito com a governação socialista. Apenas 13,8 por cento considerou que o Governo está a governar “melhor do que esperava”.
O sentimento de desilusão reflecte--se, aliás, nas notas atribuídas aos membros do Governo. Numa escala de 0 a 20, José Sócrates não obteve mais do que 8,6. E até o seu eleitorado atribuiu um medíocre 11,8. Já no caso dos ministros, no fim da tabela com 6 valores está o ‘repetente’ ministro da Saúde, Correia de Campos, enquanto o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, mereceu a terceira pior nota do Governo: 9,5.
Quanto às intenções de voto, a queda nas expectativas no Governo reflecte-se na subida significativa da abstenção, que passou de 41 para 45,2 por cento. Ainda assim, o PS mantém a liderança com 38,5 por cento, tendo mesmo registado uma subida em relação ao mês de Maio, em que obteve 36,7 por cento.
O PSD não consegue travar a queda. Pelo terceiro mês consecutivo os sociais-democratas caem nas intenções de voto ao passar de 26,7 para 26,2 por cento. O líder do PSD obteve, aliás, este mês a sua pior nota desde Janeiro do ano passado: 6,7. Marques Mendes mereceu mesmo do seu eleitorado uma nota negativa: 9.
NEGRÃO DEFENDEU PORTELA. MAS PSD NADA DISSE
O líder parlamentar do PSD, Marques Guedes, afirmou à TSF no dia 12 que o partido aceitará a opção Ota, caso o LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) o recomende. Isto, desde que o Parlamento também possa acompanhar os trabalhos.
Em nenhum momento das suas declarações o parlamentar defende, por exemplo, que se tenha em conta também a solução “Portela 1”, a hipótese que o candidato à Câmara de Lisboa social-democrata avançou recentemente à margem de uma visita ao Centro de Saúde de Alcântara.
No PSD, algumas fontes, sob anonimato, referiram ao CM que o candidato do PS, António Costa, “se liberta da polémica”, mas, se não houver nenhum discurso alinhado com o candidato do partido, “quem fica em maus lençóis” é Negrão e não Costa.
“A agulheta pode virar-se contra Negrão”, afirma uma das fontes.
PORTAS QUER ANALISAR PORTELA 1
Acompanhado pelo candidato do CDS-PP à Câmara de Lisboa, o líder centrista, Paulo Portas, anunciou ontem que o agendamento protestativo do partido, marcado para dia 20 de Junho na Assembleia da República, servirá para os democratas-cristãos pedirem ao Governo que o estudo encomendado ao LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) sobre o novo aeroporto abranja não só a Ota e Alcochete como também a solução “Portela 1”.
Isto é, a avaliação dos custos benefícios da Ota, Alcochete e a manutenção do aeroporto da Portela, recorrendo ao Montijo, como aeroporto de apoio.
Mais, Portas lembrou que o LNEC não tem competência, pela sua lei orgânica, para avaliar os custos benefícios, por isso, quer que o Executivo alargue o número de entidades– público e privadas– responsáveis pelo estudo, cumprindo o prazo já estabelecido para o efeito: seis meses.
ESTUDO CRIA INSTABILIDADE E PREJUDICA ECONOMIA
A região do Oeste reagiu mal à decisão de estudar a viabilidade de Alcochete para acolher o novo aeroporto de Lisboa e acusa o Governo de criar instabilidade e prejudicar a economia.
Empresários, autarcas e agentes turísticos manifestaram ontem a sua “discordância” e preocupação pela “instabilidade aberta com esta decisão”.
Os agentes regionais alertaram, em conferência de imprensa, para o facto de muitos investidores terem acreditado “que valia a pena investir em novos territórios” e recordaram mesmo para investimentos em curso no turismo “já superiores a três mil milhões de euros”.
A Ota, segundo os representantes do Oeste, era “resultado de um processo amadurecido, transparente e com qualidade”.
“Esta decisão atrasa, desmobiliza e prejudica processos de investimento e desenvolvimento”, apontou Fernando Cardoso, presidente da Assembleia Geral do Conselho Empresarial do Centro, com sede em Coimbra, referindo que a região Centro representa 20 por cento da economia portuguesa.
Para o dirigente empresarial Fernando Cardoso, a localização do aeroporto internacional deve ser a Norte de Lisboa por ser onde se concentra “mais população, mais cargas, mais acessibilidades, projectos turísticos e também mais escoamento para a cidade de Lisboa, sem necessidade de passar pontes”.
PACHECO PEDE SAÍDA DE LINO
Pacheco Pereira defendeu a saída do Governo do ministro das Obras Públicas, Mário Lino.
No programa ‘Quadratura do Círculo’ da SIC Notícias, Pacheco Pereira disse que um governante que defendeu tão convictamente a solução Ota, “e de uma maneira tão definitiva”, não tem a “imparcialidade suficiente” para agora analisar a alternativa Alcochete.
O comentador também defendeu que deveriam ser conhecidos os financiadores do estudo apresentado pela CIP ao Presidente da República.
UM 'CAMINHO SENSATO'
O estudo de uma alternativa à localização do novo aeroporto na Ota é uma boa decisão e um “caminho sensato” para o País.
Assim afirmou ontem Pedro Santana Lopes, na Figueira da Foz, a propósito do estudo da CIP – Confederação da Indústria Portuguesa –, segundo o qual Alcochete é o melhor local para o novo aeroporto internacional de Lisboa.
Acrescentou que é necessário concluir os estudos e abrir a base aérea de Monte Real ao tráfego civil, “seja qual for a opção sobre o novo aeroporto”.
NOTAS
CAVACO SILVA
A actuação de Cavaco Silva na Presidência da República está a satisfazer os portugueses, que atribu
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