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Política
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MANUEL MONTEIRO: SANTANA E PORTAS DECIDEM DESTINO DE DURÃO BARROSO

Manuel Monteiro, futuro líder da Nova Democracia, não tem dúvidas de que PSD e CDS já são uma única força política. E deixa o alerta: Durão Barroso ainda é o líder, mas só o será enquanto Paulo Portas e Santana Lopes o considerarem útil.
28 de Agosto de 2003 às 00:00
Manuel Monteiro garante que o seu objectivo não é roubar votos ao CDS
Manuel Monteiro garante que o seu objectivo não é roubar votos ao CDS FOTO: Marta Vitorino
Correio da Manhã - O que o leva a não desistir da política?
Manuel Monteiro - Uma paixão imensa pela vida pública e pela vida política. Por outro lado, entendo que não faz sentido ter ideias, querer que essas ideias possam ter eco na sociedade e estar de braços cruzados.
- Acha que Portugal precisa de si?
- A democracia precisa de todos os portugueses. Neste momento há uma situação que é conveniente a este sistema que só se lembra dos cidadãos eleitores de tempos a tempos. Dizem então que é bom que as pessoas votem, mas não fazem rigorosamente nada para impedir o crescendo de abstenção.
- E sente que as pessoas esperam algo de novo da Nova Democracia (ND)?
- Eu sinto que as pessoas estão muito cansadas. As pessoas não percebem ainda para que votam, porque têm a sensação que independentemente do seu voto, nada muda. O debate político é orientado por um cinzentismo e por um centrismo muito negativo, em que as pessoas começaram a perceber que não há alternativa, há alternância. As pessoas alternam-se no poder, mas não há diferença de projecto. O grande desafio da ND é ser alternativa.
- Alternativa de poder?
- Sim. A ND não ter de alternar com ninguém, quer é ser alternativa. Aqueles que dizem que a ND quer conquistar as bases do CDS estão enganados. Se o meu objectivo fosse esse, tinha ficado no CDS. Estamos cá para construir uma alternativa de Governo. Não estamos cá para deitar foguetes quando elegermos um ou dois deputados.
- E como é que o "sistema" está a receber a ND?
- Num primeiro momento disse-se que isto era uma brincadeira do Manuel Monteiro que se zangou com o Paulo Portas. Depois ficaram surpreendidos com a nossa capacidade mobilizadora e agora estamos a entrar na fase em que vão começar a cair pedras em cima de nós. O sistema vai dizer que nós somos extremistas, mas esquecem-se que somos livres e ninguém consegue calar gente livre.
- E como é que a nova ND vê a actuação deste Governo?
- O Governo não soube até agora definir um objectivo nacional e falhou a sua grande meta, que era o défice. Mas Durão Barroso ainda é hoje um homem sossegado porque não tem oposição. O PS está comprometido com o passado e não será alternativa durante muitos anos. O PCP não é oposição e o BE parece querer ser uma parte da oposição, não faço ideia. Mas o bem de Durão Barroso é o nosso mal.
- Também considera a coligação PSD/CDS contra naturam?
- A coligação foi fruto de umas eleições em que as pessoas não se sentiram minimamente motivadas. Começou por ser necessária, embora em muitas circunstâncias contra naturam, mas que hoje não é. O que temos agora não são dois partidos mas um único grupo político que Governa. Acho que o CDS e o PSD estão a caminhar para uma diluição consciente, legítima. Existe um governo liderado por Durão Barroso com uma chefia partilhada entre Pedro Santana Lopes e Paulo Portas. É uma situação que a seu tempo se resolverá. Estou convencido de que Pedro Santana Lopes e Paulo Portas já falaram muito sobre o assunto e já decidiram há muito qual o destino a dar a Durão Barroso quando ele deixar de ser útil.
- Isso não deixa de ser conveniente para os seus objectivos...
- Mas em política é preciso também saber aproveitar as oportunidades...
PERFIL
Manuel Monteiro nasceu a 1 de Abril de 1962 em Anissó, Vieira do Minho. Dedicou-se à vida política desde os 13 anos de idade, entrando para a direcção da Juventude Centrista (JC) em 1981. Em 1985 foi eleito presidente da “jota” do CDS, onde se manteve até 1990. Em 1991 Freitas do Amaral abandonou a liderança do partido e Manuel Monteiro candidatou-se ao cargo contra Basílio Horta e Lobo Xavier.
Foi eleito em 1992, no Congressode Lisboa. Iniciou um processo de renovação do partido, que passou até pela mudança de nome para CDS - Partido Popular. Foi eleito nas eleições europeias de 1993, mas nas legislativas de 1995 foi de novo candidato e trocou o Parlamento Europeu pela Assembleia da República. Manteve-se como líder do partido até 1998, ano em que Paulo Portas venceu o congresso de Braga. Voltou a disputar a liderança, sem sucesso, em 2002. Optou então por fundar uma nova força política.
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