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Correio da Manhã

Política
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Marcelo: "A União Europeia não percebeu que vinha aí uma crise"

Presidente da República refere que a União Europeia "está mais atenta à aproximação de sinais".
31 de Março de 2019 às 13:02
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considera que a crise de uma Europa sem centro político ou liderança forte surge através de uma primeira crise financeira, na qual a União Europeia "não percebeu que vinha aí uma crise". Em entrevista ao Público, o chefe de Estado português alerta que, se Bruxelas não conseguir "levar por diante o seu projeto de integração, não haverá praticamente países europeus" em cimeiras do G7 daqui a 10 ou 20 anos.

"A União Europeia falhou, em primeiro lugar, por não ter percebido que vinha aí uma crise. Não percebeu. Quando ela surgiu nos EUA, pensou que não chegaria à Europa na dimensão em que chegou", afirma Marcelo Rebelo de Sousa ao jornal, indicando que Bruxelas reagiu "com um ano de atraso". Para o Presidente da República houve "três erros consecutivos": "primeiro, de desatenção; o segundo, por precipitação; o terceiro, por nova precipitação".

O chefe de Estado refere que a União Europeia "está mais atenta à aproximação de sinais de crise" e que a prova disso é a de que o Banco Central Europeu tem estado mais alerta. Marcelo considera que o mundo de hoje está centrado na guerra comercial entre Estados Unidos e China e que este conflito tem "efeitos colaterais" na Europa e que esta pode ficar "exposta" como "adversária principal no discurso oficial norte-americano".

"Antes, a China olhava a Europa como um mero aliado tático objetivo no confronto com os EUA e na diferenciação em relação à Rússia. Pensava que era bom que a Europa não se dividisse, que não se fragilizasse. Agora, é mais do que isso. A China quer avançar na Europa", refere ao Público.

Para o Presidente da República, a Europa deve, portanto, definir-se na luta entre EUA e China. "A opção natural seria estar com o aliado norte-americano, mas para isso é preciso que o aliado norte-americano esteja com a Europa. Se não, é difícil. Perde-se o que há de bom dos dois mundos, fica-se com o pior dos dois mundos. Mas a Europa mudou muito."

Marcelo indica ainda que a Europa tinha uma liderança clara em Angela Merkel, chanceler da Alemanha, mas as "crises nos sistemas políticos nacionais" em toda a zona europeia levaram a clivagens internas que se traduziram "na organização da zona euro, nas migrações, nos refugiados", refere ao Público.

Existem ainda novos problemas "que são muito sensíveis para as gerações mais velhas", segundo o Presidente da República: "Passaram quase 20 anos e há novas gerações com novas visões do mundo. Para essas gerações, os problemas são outros. A Europa está muito envelhecida e tem pouco a dizer aos jovens. O trabalho vai ser diferente e a mobilidade das pessoas também. As alterações climáticas colocam desafios que são de hoje e não de depois de amanhã, como eram para as gerações mais velhas. Estes problemas são novos em relação à problemática meramente orçamental, que foi a que dominou a segunda resposta da Europa à crise. Temos uma Europa com mais clivagens, mais divisões, com lideranças mais fracas, com novos problemas e com velhas questões sociais".

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