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Correio da Manhã

Política
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Marcelo adverte que ninguém tem "a certeza absoluta sobre evolução da pandemia"

Presidente da República frisou que a "Europa não tem podido chegar a acordo relativamente a critérios comuns no domínio da abertura das fronteiras".
Lusa 26 de Junho de 2020 às 15:55
Marcelo afirma que Portugal optou pela verdade dos dados sobre coronavírus em vez de corrigir números
Marcelo afirma que Portugal optou pela verdade dos dados sobre coronavírus em vez de corrigir números FOTO: Lusa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, advertiu hoje que ninguém tem a certeza absoluta sobre a evolução da pandemia, observando que a Europa não tem critérios comuns para a abertura das fronteiras.

"Em primeiro lugar ninguém tem certeza absoluta sobre a evolução da pandemia. A Organização Mundial de Saúde admite, no caso da Europa, que há um grau de imprevisibilidade quanto à evolução da pandemia nas próximas semanas e até nos próximos meses", começou por dizer o chefe de Estado.

O Presidente da República, que falava aos jornalistas após visitar a Escola Básica e Secundária Fontes Pereira de Melo, no Porto, marcando o fim do ano letivo, respondia à possibilidade levantada pelo Reino Unido de travar a entrada de cidadãos portugueses.

Marcelo Rebelo de Sousa frisou que a "Europa não tem podido chegar a acordo relativamente a critérios comuns no domínio da abertura das fronteiras" o que quer dizer que "cada Estado toma decisões que vão mudando com o tempo em função da sua visão da situação interna e da situação externa e que muitas vezes são mais complicadas do que aquilo que parece".

O PR referiu depois que em alguns estados foi noticiado que havia limitações "de acesso de portugueses a esses estados, quando verdadeiramente o que havia era limitação de acesso a partir de alguns aeroportos, fossem portugueses ou não aqueles que viajavam e que, entretanto, foram mudadas, nalguns casos aligeiradas".

"Portanto, as notícias que chegam todos os dias significam que, mesmo na União Europeia não há critério homogéneo, por maioria de razão, o Reino Unido, já não pertence à União Europeia, logo o estar a comentar casuisticamente implica, primeiro, olhar para a evolução dessas decisões, que em muitos casos mudam todos os dias. Em segundo lugar ter de verificar, infelizmente, que não é possível haver um critério europeu", disse.

Sobre o facto de ter ficado a saber-se hoje que o RT [número de reprodução da covid-19] em Portugal ter atingido o 1.19, o mais elevado dos 27 da União Europeia, o chefe de Estado começou por aludir à "nota do Ministério dos Negócios Estrangeiros que repôs a verdade sobre uma notícia divulgada por um jornal muito prestigiado do país vizinho e que dizia que toda a Grande Lisboa estava confinada".

"Foi esclarecido, tal como ontem [quinta-feira] já tinha sido esclarecido que se mantinha apenas o estado de calamidade num número limitado de freguesias da Grande Lisboa. Em todas as restantes havia a transição para um estado de menor gravidade, concretamente o estado de alerta", salientou.

E prosseguiu: "como sabem, o R é medido todos os dias. Na sessão epidemiológica que decorreu há dois dias o R que foi comunicado era de 1.08. Não tenho os dados do R, porque estive no Porto, do R de ontem [quinta-feira) e de hoje, que varia de dia para dia".

Marcelo Rebelo de Sousa partiu depois para comparações externas, citando o que se passou "num país tão importante e tão experimente em matéria de saúde pública como a Alemanha" em que "houve flutuações de R de um ponto muito para 2.88 num espaço de dois dias".

Lembrando que, depois "regressou para um ponto muito" escusou-se a comentar "aquilo que possa ser o R de hoje, que é calculado dia a dia e que dá o retrato do que tem sido nos últimos tempos, das últimas duas semanas, ligeiramente abaixo, há mais tempo, de 1 e, há duas semanas, ligeiramente acima de 1. Ligeiramente acima de 1 tem sido 1.05, 1.08, porventura poderá ter sido 1.19, mas poderá ser hoje menos".

E conclui: "mas de qualquer caso, longe daquilo que foi na fase inicial, admitindo-se hoje que terá sido claramente acima de 2, [entre] os 2.8 e os 2.88".

Sobre a visita à escola, Marcelo Rebelo de Sousa "reconheceu que não foi o final de ano letivo perfeito, mas nem o podia ser nas condições em que vivemos", destacando, ainda assim, como "positivo" o "esforço para evitar ao máximo as passagens administrativas".

Portugal contabiliza pelo menos 1.555 mortos associados à covid-19 em 40.866 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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