Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
9

Marcelo contra mais pactos

Marcelo Rebelo de Sousa considera que seria “mau” para os dois maiores partidos concretizarem mais pactos além do da Justiça e da Segurança Social. Em declarações ao CM, o professor sustenta que “a grande riqueza da Democracia portuguesa é a alternância entre PS e PSD” e “cada um tem de ser o que é”.
13 de Setembro de 2006 às 00:00
Numa análise às posições públicas assumidas pelo Presidente da República, o também conselheiro de Estado recorda que Cavaco Silva “só falou em dois [pactos]: Segurança Social e Justiça”. E acrescenta que, do ponto de vista estratégico, José Sócrates “entra ao centro e à esquerda quanto menos pactos fizer e Marques Mendes entra ao centro e à direita também quantos menos pactos fizer”. Assim, o antigo líder social-democrata classifica de “impossível” qualquer cenário de Bloco Central, admitindo, apenas os consensos tradicionais nas políticas externa, de defesa e europeia.
Mais, em termos de calendário, Marcelo Rebelo de Sousa aponta a data Junho de 2007 como a data-limite para qualquer entendimento entre os dois maiores partidos na Segurança Social. A partir daí, os socialistas têm a presidência da União da Europeia. Depois, em Janeiro de 2008, fecha-se o ciclo não eleitoral.
No capítulo, da Segurança Social, Marcelo alerta que se não houver um sinal de entendimento entre as duas maiores forças políticas, então, “quem sai mal na fotografia é José Sócrates”. E destaca que, se, por um lado, é complicado ao primeiro-ministro dizer sim a um pacto, por motivos ideológicos,– a polémica instalava-se no PS – por outro lado, se “daqui a dois ou três anos se verificar que as alterações não chegam” para garantir a sustentabilidade da Segurança Social, a situação torna-se delicada para o chefe do Executivo. Nesse sentido, o melhor caminho é deixar “o processo entreaberto ainda que não concluído até à Primavera de 2007”, conclui.
No PS, caiu mal, sobretudo na ala Esquerda, o pacto para a Justiça e ontem o Bloco de Esquerda classificou a realização de novos entendimentos entre socialistas e sociais-democratas como uma forma de “fazer política às escondidas”, pela voz de Francisco Louçã.
'PR PODE CAPITALIZAR'
O professor universitário António Costa Pinto afirmou ontem ao CM que a realização deste [pacto para Justiça] e de um segundo, são sem dúvida uma vitória que o Presidente da República pode capitalizar”, até porque o seu antecessor não tinha um discurso muito diferente. Numa curta análise histórica dos consensos na Democracia portuguesa, o historiador lembra que na consolidação do actual regime houve pactos, como, por exemplo, a extinção do Conselho de Revolução, entre outras. Mas, num sistema como o português, composto por vários partidos, é “mais difícil”. Costa Pinto aponta ainda “dois problemas” nestes acordos: o esbater de diferenças entre partidos e a realização de pactos de regime à revelia das instituições democráticas e do sistema eleitoral.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)