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Correio da Manhã

Política
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Marcelo defende pelo menos "acordos bilaterais" sobre migrações na União Europeia

Presidente da República voltou a criticar aqueles que querem dividir a Europa, alegando que "ninguém tem a ganhar".
29 de Outubro de 2018 às 16:41
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
O Presidente da República defendeu esta segunda-feira que, pelo menos, deve haver "acordos bilaterais" sobre migrações e refugiados entre Estados-membros dispostos a receber pessoas e a pagar àqueles que recebem, como um "mínimo pragmático" na União Europeia.

Na apresentação de um livro sobre o futuro do projeto europeu, na Reitoria da Universidade de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou também que "era bom que a Europa definisse o mínimo no domínio da União Económica e Monetária para prevenir novas crises, o mínimo".

No seu entender, nesta matéria "o mínimo provavelmente já não será ministro das Finanças e o mínimo provavelmente já não será Fundo Monetário Europeu".

"O mínimo será aquilo que é preciso mudar em termos estruturais para que o Banco Central Europeu possa agir sem ter de fazer interpretações criativas dos tratados, para que se possa prevenir consequências financeiras de crises que possam surgir, para que a Europa possa estar um pouco mais preparada, como não estava em 2007, 2008, para a eventualidade dessas crises", considerou.

Quanto às migrações e refugiados, o Presidente da República insistiu que deve haver "um acordo mínimo" rapidamente, "nem que seja na base do bilateralismo".

"Onde não há acordo entre todos, que seja permitido que haja acordos bilaterais entre aqueles que estão dispostos a receber e aqueles que, não recebendo, estão dispostos a pagar àqueles que recebem", propôs, defendendo que "é o mínimo, um mínimo pragmático que importaria definir"

Nesta intervenção, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a criticar aqueles que querem dividir a Europa, alegando que "ninguém tem a ganhar" com isso, referindo-se em particular aos norte-americanos, e em contraponto elogiou a China.

"É difícil explicar isso àqueles que querem a divisão europeia. Mas, os americanos perceberão facilmente que lhes custará novamente uma fortuna uma renovada divisão europeia. Essa experiência já tiveram depois da guerra. Porquê repeti-la, de forma diferente?", questionou.

O chefe de Estado acrescentou que "mesmo os russos terão penosidades acrescidas, até pela interdependência da sua economia relativamente às europeias se a Europa se dividir".

"Ironicamente", observou, "só a China parece compreender tática ou estrategicamente que não é boa ideia a divisão da Europa".

E a China, referiu "tem um contencioso secular com o ocidente sobre para onde irá o centro do poder económico no próximo século, se continuará no ocidente como desde a revolução industrial ou voltará à Ásia, onde esteve até então".

"Só a China, porque define políticas para a eternidade - é uma eternidade neste mundo e não uma eternidade no outro", considerou.

Relativamente à saída do Reino Unido da União Europeia, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou que importa fechar o acordo com urgência, "no próximo mês, mês e meio".

"Qualquer acordo, desde que salvaguardando o que é essencial para que uns e outros se não considerem perdedores é melhor do que não acordo. É preferível que a evolução britânica e europeia futura próxima se dê com acordo prévio a dar-se sem acordo prévio - por muito grande que seja a expectativa de outros referendos, de viragens na política britânica, tudo isso é incerteza. Um acordo, mesmo se básico, é fundamental", sustentou.
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