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Correio da Manhã

Política

Marcelo diz a Costa que quer abertura prudente da economia

Presidente da República apela à convergência de todos os partidos para o País conseguir vencer a crise.
Salomé Pinto 26 de Abril de 2020 às 09:36
António Costa, primeiro-ministro
António Costa, primeiro-ministro FOTO: Pedro Catarino

Avisos ao Governo, sermões aos opositores da cerimónia, como CDS e  Chega, e um apelo aos partidos e aos portugueses. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, atirou em várias direções, todas sob o denominador da pandemia, no seu discurso de encerramento da sessão solene do 25 de Abril da Assembleia da República, que se realizou este sábado.

A uma semana do fim do estado de emergência, que termina a 2 de maio, o Chefe de Estado alertou o Executivo de António Costa para o caminho a trilhar. "A crise económica e social" resultante da pandemia de  Covid-19 vai fazer-se sentir "durante anos" e agora é preciso "conjugar aberturas amadurecidas com precauções bem explicadas e bem compreendidas", afirmou Marcelo. Uma prudência que o presidente do PSD, Rui Rio, já tinha antes defendido quando no seu discurso avisou que  "é mais importante prepararmo-nos para um segundo surto do que planear a presença de governantes nas televisões a toda a hora".

Marcelo, de cravo na mão e gravata escura, ouviu os ataques do líder parlamentar centrista, Telmo Correia, e de André Ventura, do Chega, à realização da sessão solene em período de confinamento. Mas não os deixou sem resposta, aliando-se às palavras do presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e de  toda a esquerda parlamentar mas também do PSD. "Deixar de evocar o 25 de Abril no tempo em que ele porventura mais está a ser posto à prova nos últimos 46 anos seria um absurdo", "um mau exemplo" e "civicamente vergonhoso", afirmou Marcelo.

Há um ano o Chefe de Estado pediu ambição, agora quer "unidade entre os portugueses e entre os responsáveis políticos, uma convergência que tem sido decisiva para Portugal"  se focar no essencial que é "vencer as crises". Para isso, Marcelo defende que é preciso  "resistir ao desgaste", "não ceder ao simplismo de separar velhos e novos" e ainda "acorrer aos desempregados, às famílias aflitas, às empresas estranguladas", como também defenderam BE e PCP.

Numa cerimónia minimalista, com apenas 46 deputados - só Filipa Roseta, do PSD, usou máscara - e cerca de 20 convidados, não se tocou o Hino Nacional nos Passos Perdidos, que foi substituído por uma gravação áudio, deu-se primazia ao silêncio: um minuto pelas vítimas mortais de Covid-19, pediu Ferro no início da sessão. Dos três antigos Presidentes da República eleitos em democracia e ainda vivos, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Ramalho Eanes, só este último esteve presente. Jaime Gama, Mota Amaral e Assunção Esteves, ex-presidentes do Parlamento, primaram pela ausência.

Pandemia "não suspende democracia"
"O estado de emergência não suspende a democracia. Hoje, mais ainda, devemos celebrar Abril", escreveu o primeiro-ministro, António Costa, nas redes sociais depois da sessão solene. A seguir, defendeu, numa mensagem vídeo, que este 25 de Abril, mesmo tão diferente, "tem de ser de festa  e de homenagem à Cultura".

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