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Correio da Manhã

Política
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Marcelo diz que “remodelar tão cedo seria enfraquecimento”

O social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa considerou esta segunda-feira que "seria mau para o Governo" se o ministro da Economia saísse do cargo e que "uma remodelação tão cedo seria um enfraquecimento" do executivo PSD/CDS-PP.
5 de Março de 2012 às 20:41
Marcelo disse ainda não ver motivos para que Álvaro Santos Pereira se demita
Marcelo disse ainda não ver motivos para que Álvaro Santos Pereira se demita FOTO: João Miguel Rodrigues/Arquivo

"Eu penso que nesta altura seria mau para o Governo uma remodelação tão cedo, a saída do ministro, mesmo que fosse por causa do problema dos fundos, seria um enfraquecimento do Governo. É muito cedo para o Governo, antes das autárquicas, começar a ter remodelações governamentais", afirmou.

Marcelo disse ainda não ver motivos para que Álvaro Santos Pereira se demita: "Ele não é afastado do processo, o ministro da Economia é mantido a coordenar tudo o que tem a ver com fundos, mas como acontece muitas vezes, até em decisões sobre empresas públicas, há o ministro da tutela e outras vezes o ministro das Finanças, simultaneamente, a decidirem."

O ex-presidente do PSD e comentador político falava aos jornalistas no final da sessão de apresentação do novo livro de Francisco Louçã e Mariana Mortágua, ‘Dividadura - Portugal na crise do euro’, que esteve a seu cargo.

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, saiu da residência oficial do primeiro-ministro às 19h51 sem prestar declarações à comunicação social.

Depois de vários órgãos de comunicação social terem noticiado que a gestão dos fundos comunitários passaria da tutela de Álvaro Santos Pereira para a do ministro das Finanças, o primeiro-ministro esclareceu na madrugada de domingo que a coordenação do QREN se manterá no Ministério da Economia mas que Vítor Gaspar terá uma palavra decisiva sobre a reafectação dos fundos.

Questionado sobre se Álvaro Santos Pereira foi desautorizado em relação à gestão dos fundos comunitários (QREN), Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "é lógico" que o ministro das Finanças tenha competências particulares numa época de crise.

"Acho que faz sentido o ministro das Finanças ter um direito, uma última palavra em termos de controlo financeiro dos fundos que vêm de Bruxelas", disse Marcelo.

 


O antigo líder social-democrata assinalou que Álvaro Santos Pereira "continua a coordenar o que tem a coordenar", defendendo que o ministro das Finanças "não pode deixar de ter um poder último de intervenção, porque em última análise ele é que responde directamente perante Bruxelas".

"Pense o que se pensar do ministro da Economia, e eu tive já ocasião de formular algumas críticas [a Álvaro Santos Pereira], sobretudo nos primeiros tempos à sensação de não aclimatação que ele tinha em relação a Portugal, na maneira de se inserir na realidade portuguesa, acho que é uma debilidade muito grande do Governo se o primeiro-ministro deixar cair o ministro da Economia", concluiu Marcelo.

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