Barra Cofina

Correio da Manhã

Política
2

Marcelo diz que quer evitar dissolver o parlamento durante o seu mandato

Presidente da República expressa desejo de não ter de usar a "bomba atómica".
Lusa 29 de Julho de 2017 às 08:32
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, gostaria de se distinguir dos seus antecessores eleitos em democracia por não ter usado a 'bomba atómica' (dissolução do parlamento), segundo uma entrevista ao Diário de Notícias.

Em excertos já divulgados à Lusa da entrevista, que vai ser publicada na edição dominical do título, Marcelo afirmou: "Se me pergunta se eu gostava de evitar a 'bomba atómica', porque o país estava em condições tais que ela era evitável, gostava".






Mas a dissolução será inevitável se se verificarem algumas condições, avançou o Presidente, recordando as condições que enunciou enquanto candidato.

"O primeiro requisito é que haja uma crise institucional particularmente grave. O segundo é que não seja possível encontrar um Governo no quadro da mesma composição parlamentar. E o terceiro é que seja plausível, com os dados disponíveis naquele momento, que o resultado da eleição conduza ao desbloqueamento da situação que gerou a dissolução", disse.

Marcelo falou também da situação da Venezuela e dos seus reflexos na comunidade portuguesa, avisando desde logo que "tudo aquilo que se disser é de uma grande responsabilidade, porque esses compatriotas olham para aquilo que é dito ao pormenor".

Assim, recusou responder diretamente à pergunta sobre se é possível que Portugal venha a votar contra as sanções se elas vierem a ser discutidas na União Europeia (UE).

Recordou, contudo, que "Portugal está solidário com a UE e a UE, naturalmente, quando tiver de apreciar esta questão, apreciará através do debate entre todos os seus Estados-membros, sabendo-se que Portugal está numa situação muito específica".

Marcelo quis deixar bem clara a diferença entre Portugal e os seus parceiros europeus, porque "uma coisa é estar a tratar-se de problemas que são importantes para o relacionamento entre a UE e outro qualquer país sem ter lá tantos nacionais, outra coisa é tendo lá tantos nacionais".

A prudência na abordagem da situação no país sul-americano foi reforçada com a consideração que se está "a falar de pessoas de carne e osso, com as suas vidas, de várias gerações, e a grande maioria com a intenção de viver na Venezuela".

Marcelo pronunciou-se também sobre a aquisição da Media Capital pela Altice, considerando que esta compra "não é nada melindrosa". Tal entendimento decorre de haver "regras e reguladores", pelo que "do que se trata é os reguladores verificarem se esses princípios e essas regras são ou não são respeitados".

E a propósito deste regulador - a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) -, Marcelo afirmou que era "obviamente importante que tivesse havido acordo entre os partidos há muito tempo" para nomear um novo conselho para a ERC.

Ao analisar a crise que afeta a comunicação social, Marcelo Rebelo de Sousa chamou a atenção para o facto de ser "evidente que não há democracia se não houver comunicação social livre e forte".

Avisou, por outro lado, que "não se pode transformar a comunicação social em bode expiatório ou em razão justificativa daquilo que correr melhor e, sobretudo, pior, na atividade de quem exerce funções políticas em democracia".

Marcelo abordou ainda a possibilidade de se recandidatar, declarando que se sentir que tem "um dever ético, um dever cívico, o dever estrito" de se candidatar, candidata-se.

Mas, adiantou, só daqui a três anos é que olhará "para a realidade" e fará a pergunta a si próprio.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)