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Correio da Manhã

Política
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Marcelo no último discurso antes das presidenciais: "Confinar não pode ser argumento para adiar a democracia"

Presidente da República apelou ao voto nas eleições. 
Lusa 22 de Janeiro de 2021 às 19:08
Marcelo Rebelo de Sousa
Marcelo Rebelo de Sousa
O candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa fez esta sexta-feira um apelo ao voto no domingo em nome das vítimas da covid-19 e da democracia e também para poupar o prolongamento da campanha com uma segunda volta.

No discurso de encerramento da sua campanha, em Celorico de Basto, no distrito de Braga, o Presidente da República e recandidato ao cargo não apelou diretamente ao voto na sua candidatura, mas pediu que a eleição fique decidida no domingo, para "poupar aos portugueses o prolongamento de uma campanha em três semanas cruciais para a pandemia e para a concentração de todas as vontades num combate que é decisivo".

Marcelo Rebelo de Sousa, que discursava sozinho no palco do auditório da biblioteca municipal de Celorico de Basto, que tem o seu nome, perante uma plateia vazia, apenas com jornalistas, acrescentou: "Apelo, por isso, hoje novamente ao voto, qualquer que ele seja, como sinal de que a pandemia não calou a nossa resistência, o nosso desejo de vencer, a nossa fidelidade a quase nove séculos de história feita de árduos desafios e de férrea sobrevivência".

"Que seja para as vítimas mortais e para as outras vítimas e para os que na saúde lutam heroicamente dia após dia para tornar possível o impossível o nosso derradeiro pensamento neste momento singular da vida de todos nós. Votarmos no domingo é, além de tudo mais, dizermos que nunca os esqueceremos, aos que partiram, aos que sofrem, aos que dão a sua vida e a sua saúde para salvarem a vida e a saúde dos outros", afirmou.

"Deles não desistiremos, com eles jamais nos daremos por vencidos, por causa deles nunca renunciaremos a continuar Portugal", reforçou.

Por outro lado, argumentou que "confinar não pode ser argumento ou álibi para parar ou adiar a democracia" e que um "desconfinamento para o voto, respeitador das regras de saúde pública, é um gesto cívico tão digno e tão importante como o dessas e desses que na agricultura, na indústria, nalgum comércio e em inúmeros serviços básicos todas as manhãs saem de casa para servir a comunidade".

Neste primeiro e único discurso que fez durante o período oficial de campanha para as presidenciais de domingo, Marcelo Rebelo de Sousa começou por "agradecer aos portugueses o empenho que manifestaram por estas eleições, apesar dos sacrifícios vividos ao longo de tantas semanas e agravados nas últimas, quando a pandemia, ela própria, se agravou".

"As audiências aos debates televisivos bateram recordes de muitos anos. O mesmo empenho existiu quanto a entrevistas televisivas e digitais e debates radiofónicos", apontou, considerando que "foi um sinal de apego à cidadania e de demonstração que os portugueses querem que a democracia integre e controle a emergência e não querem que a democracia se suspenda, apesar de vivermos em estado de emergência e em sucessivos confinamentos".

No fim desta "exige campanha eleitoral em pandemia", Marcelo Rebelo de Sousa disse esperar que votação no domingo "possa confirmar a tendência expressa na participação do passado dia 17" e a possibilidade "do voto dos isolados profilaticamente e dos internados em lares", que assinalou ser inédita.

O candidato presidencial apoiado por PSD e CDS-PP apelou ao "voto em qualquer uma ou qualquer um dos candidatos apresentados, muito diversos entre si, em perfis, em ideias, em percursos, em visões de futuro, proporcionando uma escolha que não seja a abstenção, o voto em branco ou o voto nulo".

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