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Correio da Manhã

Política
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Marcelo Rebelo de Sousa confirma que falou com António Costa e Mário Centeno sobre Novo Banco

Presidente da República pediu desculpa a Mário Centeno pela afirmação que fez na Autoeuropa.
Diana Ramos 14 de Maio de 2020 às 12:31
Mário Centeno
Mário Centeno

O ministro das Finanças, Mário Centeno, pediu a reunião com o primeiro-ministro, na quarta-feira à noite, para apresentar a demissão do cargo depois da "intromissão" do Presidente da República na gestão política do Governo. O próprio Marcelo Rebelo de Sousa já ligou a Centeno, esta quinta-feira de manhã, para pedir desculpa e argumentar que se equivocou, segundo informação recolhida pelo CM.

Numa nota publicada esta quinta-feira no site da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou a sua posição e confirmou que falou com António Costa e Mário Centeno.

Na conversa com o ministro das Finanças, o Chefe de Estado terá dado a entender que se tratou de um equívoco a afirmação que fez na Autoeuropa, quando disse que "o primeiro-ministro esteve muito bem" ao dizer que a transferência para o Novo Banco só deveria ter lugar após a conclusão da auditoria.

Ora, Mário Centeno não terá gostado de ver o Presidente da República tirar-lhe o tapete num dossiê em que havia já várias falhas de comunicação no Governo e pediu a António Costa que o recebesse em São Bento. Várias fontes contam ao CM que Centeno seguiu para a residência oficial do primeiro-ministro com a intenção de apresentar a demissão a António Costa, depois daquilo que considerou ser uma "ingerência" de Marcelo.

Leia a nota na íntegra:

"O Presidente da República reitera a sua posição, ontem expressa, segundo a qual não é indiferente, em termos políticos, o Estado cumprir o que tem a cumprir em matéria de compromissos num banco, depois de conhecidas as conclusões da Auditoria cobrindo o período de 2018, que ele próprio tinha pedido há um ano, conclusões anunciadas para este mês de Maio, ou antes desse conhecimento. Sobretudo nestes tempos de acrescentados sacrifícios para os Portugueses.

"Isto mesmo transmitiu ao Senhor Primeiro-Ministro e ao Senhor Ministro das Finanças. O Presidente da República não se pronunciou, nem tinha de se pronunciar, sobre questões internas do Governo, nomeadamente o que é matéria de competência do Primeiro-Ministro, a saber a confiança política nos membros do Governo a que preside".

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