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Correio da Manhã

Política

MARIA ELISA DEIXA RTP

A jornalista e actualmente deputada do PSD Maria Elisa Domingues anunciou ontem ter suspendido as suas funções na RTP, optando por se manter na Assembleia da República em regime de exclusividade. O anúncio foi feito pela própria Maria Elisa durante uma conferência de Imprensa que convocou para uma hora antes do início da reunião da Comissão parlamentar de Ética que se preparava para decidir sobre a incompatibilidade da acumulação das funções.
10 de Julho de 2002 às 23:58
Afirmando-se vítima de uma "tentativa de devassa da vida privada" , a deputada admitiu a possibilidade de regressar um dia à RTP, reiterando que, apesar da decisão de se manter apenas como deputada, considera compatível a acumulação das duas funções e frisa não terem existido pressões partidárias para optar por uma das funções.

Maria Elisa sublinhou que "existem interesses cruzados" e que "deu jeito arranjar" um caso como o seu - "que passou a servir de bola de pingue-pongue" - para "desviar as atenções dos gravíssimos problemas da RTP".

Em declarações ao CM, a deputada social-democrata eleita pelo círculo de Castelo Branco, garantiu que nunca pensou “fazer informação política na RTP em simultâneo com a actividade parlamentar, mas apenas entrevistas culturais ou sociais", isto apesar de Emídio Rangel a ter convidado a fazer intervenções, sobre vários temas, no Jornal 2.

“A confusão foi lançada quando José Fragoso, director de informação, disse que seriam comentários políticos”. Além disso, Maria Elisa fez questão de esclarecer que está a dar aulas ao 3º ano de Comunicação Social num dos pólos do Politécnico de Tomar, em Abrantes, mas gratuitamente. A deputada afirmou ainda que anunciou a sua decisão antes da reunião da Comissão de Ética "para não condicionar" os trabalhos.

Com a opção pela actividade parlamentar, em regime de exclusividade, e a consequente suspensão das suas funções na estação pública, Maria Elisa deixará também de auferir rendimentos da RTP, uma das situações que mais polémica estava a suscitar.

"Todos ficam com a ideia do que me custa efectivamente esta escolha. Faço-a por considerar que na actividade política não pode haver lugar a dúvidas. Espero que a opção agora tomada seja um contributo, ainda que simbólico, para pautar comportamentos em circunstâncias semelhantes ou para evitar expulsões da vida política de tantas personalidades que receiam o actual sistema de incompatibilidades", apelou a deputada, admitindo a possibilidade de vir a propor ao PSD a revisão daquele regime.

Maria Elisa assegurou, dando a sua “palavra de honra”, que não sofreu qualquer pressão por parte do PSD ou PP para que fizesse uma opção.

A comissão de Ética, depois de a deputada ter anunciado a dedicação em exclusivo à actividade parlamentar, acabou por deixar "cair" o relatório do PSD, que apontava para a inexistência de incompatibilidade entre as funções de deputada e de jornalista. "Tendo tomado conhecimento de duas declarações, uma de opção pelo regime de exclusividade e, outra, de inexistência de incompatibilidades ou impedimentos por parte da senhora deputada Maria Elisa Domingues, considerou (a comissão) ser de retirar o relatório em apreciação por o mesmo ter perdido o objecto", foi a posição assumida pelos deputados.

Fonte da RTP afirmou que a decisão da deputada ainda não foi formalizada junto do Conselho de Administração da RTP, só depois será possível analisar o tipo de suspensão de funções.
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